Resultado das contas externas piora em outubro
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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 18 (AE) - Com a concentração de pagamentos de dívidas do governo ao exterior, as contas externas do País pioraram em outubro. O déficit em transações correntes (operações de comércio e serviço com outros países) saltou de US$ 1,19 bilhão, em setembro, para US$ 2,39 bilhões no mês passado. No acumulado deste ano, o resultado ficou negativo em US$ 19,19 bilhões ante os US$ 16,8 bilhões registrados até setembro. Proporcionalmente ao Produto Interno Bruto (PIB), o déficit acumulado no ano saltou de 4,08% para 4,18%.
Considerando o período de doze meses, no entanto, o déficit em transações correntes fechou outubro acumulado em US$ 25,52 bilhões ante os US$ 28,35 bilhões registrados até setembro. Este resultado foi o melhor desde março de 97, mês em que as operações de comércio e serviço com o exterior tiveram um saldo negativo de US$ 24,72 bilhões. Segundo estimativas do chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, este ano o déficit em transações correntes deve ficar entre US$ 25 e US$ 25,5 bilhões.
A melhora do déficit acumulado em doze meses vem ocorrendo, praticamente, desde a desvalorização cambial. Com o aumento do dólar, os brasileiros ficaram desencorajados de viajar ao exterior e de comprar produtos tecnológicos ou mesmo livros, jornais e revistas estrangeiras. A conta de serviços, que inclui todas estas despesas mais o pagamento de juros, fechou negativa em US$ 2,39 bilhões no mês passado. É o menor déficit desta conta no mês de outubro desde 93.
Em outubro do ano passado, a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,93 bilhões. Somente no item viagens internacionais, que não engloba as despesas com passagens aéreas
mas considera os gastos feitos com cartões de crédito lá fora, houve um déficit de US$ 462 milhões. No mês passado, esta conta continuou negativa. Mas em US$ 126 milhões.
Também houve uma melhora no resultado da balança comercial. Ante o déficit de US$ 1,44 bilhão de outubro do ano passado, no mês passado o resultado foi negativo em US$ 154 milhões.
No acumulado do ano, a balança tinha um déficit de US$ 5 07 bilhões e, no mesmo período deste ano, está deficitária em US$ 927 milhões. Ao mesmo tempo, houve um aumento no pagamento de juros. Ante os US$ 9,59 bilhões pagos entre janeiro e outubro do ano passado, este ano foram pagos ao exterior US$ 12,45 bilhões. Até dezembro, o pagamento de juros deverá superar US$ 15 bilhões e, em 2000, deverá chegar a US$ 16 bilhões.
Lucros e dividendos - Pelo segundo mês consecutivo, o resultado das remessas de lucros e dividendos ao exterior foi positiva no mês passado. Ante os US$ 59 milhões de setembro, em outubro o resultado foi de US$ 337 milhões. Diferentemente daquele mês, quando o saldo positivo refletiu o reinvestimento de empresas estrangeiras no País, em outubro ele foi provocado pelo reinvestimento de uma empresa brasileira do setor financeiro no exterior. Antes de reinvestir lá fora, no entanto, a empresa remeteu o lucro de US$ 600 milhões para o Brasil. Por isso é contabilizado como receita na conta de lucros e dividendos embora os recursos não tenham permanecido no País.
De acordo com números divulgados por Lopes, até o último dia 16 e considerando o câmbio contratado, o País acumulou um saldo positivo de US$ 204 milhões em ingressos comerciais e financeiros. Também ficaram positivas em US$ 66 milhões as aplicações de recursos externos em bolsas de valores. Os ingressos destinados aos fundos ficaram positivos em US$ 48 milhões no mesmo período.
Os pagamentos de dívida ao exterior mais a intervenção do BC no mercado de câmbio, no valor de US$ 50 milhões, provocaram uma retração de US$ 2,68 bilhões nas reservas internacionais, considerando o conceito de caixa (recursos efetivamente disponíveis) e de US$ 2,5 bilhões em liquidez internacional (inclui créditos a receber). Nos dois conceitos, o nível de reservas em outubro foi o mais baixo desde março último.


