Resultado apertado mostra corporativismo, avalia oposição
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 28 (AE) - O resultado apertado no processo de cassação do vereador Vicente Viscome - 39 votos pela cassação, quando eram necessários 37 - preocupou a oposição.O grande número de votos contra a cassação demonstraria o corporativismo da bancada governista da Câmara. "O corporativismo ainda é grande, mesmo em uma votação secreta e com grande apelo popular", disse o presidente da extinta Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, José Eduardo Martins Cardozo (PT). O petista, que formalizou a denúncia contra Viscome na Câmara, estava satisfeito com o resultado. "Foi a primeira vitória contra a corrupção na Prefeitura."
Amanhã a bancada do PSDB deve apresentar um projeto de lei para que votações para cassação de vereadores sejam abertas. "Há muitos vereadores, alguns também envolvidos nas denúncias, que têm interesse de que nenhum vereador seja cassado", justificou o líder do PSDB, Dalton Silvano. "A votação aberta evitará que eventuais denúncias terminem em pizza", argumentou.
O líder do PPB, Paulo Frange, admitiu que o processo contra Viscome desgastou a imagem do partido, apesar da expulsão do parlamentar. "É uma situação preocupante, mas, como nossa bancada é grande, pela estatística estamos mais sujeitos a esse tipo de situação do que os partidos pequenos", disse .
Segundo o líder do PPB, o partido vai estudar uma forma de analisar os candidatos antes de a candidatura ser formalizada. Os integrantes do diretório estadual já se reuniram com o novo presidente estadual do PPB, Adhemar de Barros Filho, para analisar o projeto de avaliação dos pré-candidatos.
Frange negou qualquer articulação política para preservar o parlamentar cassado hoje. "Cada membro do partido votou de acordo com sua consciência", afirmou. Para Wadih Mutran (PPB), o resultado já era esperado. Segundo ele, pesou o fato do advogado de Viscome, Ademar Gomes, exibir o cartaz elaborado pelo diretório do PT contra os vereadores na defesa em plenário. "Ele foi infeliz ao dizer que, na verdade, todos os vereadores estavam sendo julgados", disse Mutran.
Outro vereador acusado de participação de esquemas de propinas em adminsitrações regionais, José Izar (PFL), afirmou que "cada caso é um caso." Segundo ele, caso tenha ocorrido julgamento político de Viscome, os vereadores foram inconsequentes. "Votei de acordo com minha consciência e, em hipótese alguma, o caso deve ser julgado politicamente", disse Izar.


