Ribeirão Preto, 11 (AE) - O diretor do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca, Carlos Brigagão, também diretor-superintendente da Calçados Sândalo, disse hoje que a restrição do volume de vendas de calçados brasileiros para a Argentina não deverá afetar drasticamente a indústria calçadista de Franca.
Segundo ele, do total de calçados exportados por Franca, apenas 5% é destinado a Argentina. O volume pequeno se explica porque o calçado brasileiro que teve maior aceitação do mercado argentino foi o calçado feminino que é produzido no sul do país.
"Além da indústria de calçado feminino argentina estar mais atrasada tecnologicamente e isso ter facilitado a entrada do calçado brasileiro, há ainda a vantagem da localização do Rio Grande do Sul, próximo ao mercado argentino", explicou. Segundo ele, a reunião realizada ontem (10) em Franca entre o presidente da Abicalçados, Nestor de Paula, dirigentes do sindicato e industriais locais, serviu para ratificar a decisão do setor calçadista de não negociar diretamente com a Câmara Calçadista Argentina.
"É uma discussão de governo para governo, na qual nenhum setor tem que se meter individualmente", disse. Brigagão explicou ainda que a reunião não discutiu exclusivamente a questão com a Argentina. "Foi uma reunião de apresentação, já que foi a primeira com o Nestor (de Paula) desde que ele assumiu a presidência da Abicalçados", explicou. Brigagão disse ainda que o Brasil deverá assumir uma postura "definitiva" de não aceitar "sob quaisquer condições" as medidas de restrição impostas pela Argentina. "É uma questão exclusivamente política. Os industriais de lá dormiram no ponto e não se modernizaram enquanto tiveram tempo. Agora não adianta chorar", comentou.
Segundo ele, dirigentes do sindicato participarão da reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho, às 15h30, em Brasília, para definir uma posição diante do impasse com a Argentina.

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