Restrição às importações dividem argentinos
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quarta-feira, 14 de julho de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE 
Buenos Aires, 15 (AE) - A adoção, pelo governo argentino, de salvaguardas para restringir a importação de produtos têxteis brasileiros não tem o apoio unânime dos empresários portenhos.
Furioso com seus compatriotas, o coordenador do setor têxtil da Câmara de Importadores da Argentina (Cira), Carlos Restaino, disse que "essa medida foi adotada de forma inédita", porque foi proibido que os compradores argentinos, que também serão atingidos, tivessem acesso ao processo.
"Não conhecemos os fundamentos e os motivos no qual se baseiam essas acusações." Restaino disse não saber de que forma as autoridades fizeram as análises ou de onde tiraram as conclusões para adotar as salvaguardas. O representante dos importadores argentinos considera que "a medida é um retorno ao protecionismo" e o prejudicado será "como sempre, o consumidor argentino".
Já Alejandro Sampayo, presidente da Federação Argentina de Indústrias Têxteis (Fadit), disse que "o Brasil e a Argentina fazem parte de um acordo internacional que permite a adoção desse tipo de iniciativa. Aproximadamente 90% do comércio mundial é feito conforme o sistema de cotas estabelecidas no Acordo sobre Têxteis e Vestuário (ATV). "O único país que não o aplicava era a Argentina, apesar de ter assinado o tratado", afirmou.
Segundo ele, ficou comprovado que existe o dano. Por isso a medida é legítima. Nos últimos quatro anos houve perda de empregos nas indústrias locais e, portanto, "a situação não poderia ficar como está".
Sampayo disse que o Brasil não será prejudicado, pois as medidas restritivas deverão apenas estabilizar as importações de têxteis brasileiros no nível dos últimos 12 meses. "A perda da indústria brasileira será apenas teórica." No entanto, quando se fala em números, os argentinos são escorregadios: "os dados são confidenciais, fazem parte do processo."
Empresários brasileiros em Buenos Aires afirmaram hoje que é quase certo que o governo argentino venha a adotar novas medidas restritivas contra os produtos têxteis brasileiros. Esta semana, a Secretaria de Indústria e Comércio da Argentina anunciou restrições para um grupo de cinco produtos têxteis brasileiros a partir de 1.º de agosto.
"É a ponta do iceberg", disse Rafael Golombek, diretor da Braspex, representante do Grupo Vicunha na Argentina. "Isso vai continuar, abrangendo outras categorias do setor, pois é apenas a ponta do iceberg."
Segundo ele, o governo brasileiro não parecia propenso a fazer nenhum tipo de acordo no setor têxtil com as autoridades argentinas, porque achava que esse caso não passaria na Organização Mundial do Comércio (OMC). Golombek afirma que os empresários argentinos estão mentindo quando dizem que as importações provenientes do Brasil estão aumentando.
O governo argentino sustenta que a adoção de salvaguardas contra o Brasil, o Paquistão e a China foi "oportunamente antecipada". O subsecretário de Comércio Exterior, Félix Peña, disse ter conversado pessoalmente com integrantes do governo do Brasil sobre o assunto, e afirma que a resolução foi feita de acordo com o ATV". O subsecretário explicou que as conversações com o governo brasileiro continuarão, mas até o momento, "não há nenhuma reunião agendada".
Peña desculpou-se por não poder dar dados concretos sobre o suposto aumento das importações de têxteis provenientes do Brasil. Mas garantiu que o governo argentino respeita os convênios do Mercosul. O subsecretário também não quis opinar sobre a possibilidade de adoção de novas medidas para controlar as importações de têxteis do Brasil.


