Restrição a arroz argentino não sustenta mercado brasileiro
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 21 (AE) - As restrições fitossanitárias impostas pelo Ministério da Agricultura à importação de arroz argentino no início deste mês ainda não provocaram a recuperação dos preços no mercado interno. Segundo o engenheiro agrônomo Victor Hugo Kaiser, do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), ainda há muita oferta do produto porque cerca de 40% das 5,6 milhões de toneladas colhidas este ano no Estado ainda estão nas mãos dos produtores. "Há um certo aquecimento na procura por parte das indústrias, mas sem a recuperação de preços que acreditávamos que haveria", comentou o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Antônio Elói Paz. De acordo com ele, as indústrias estão resistindo porque não conseguem repassar qualquer reajuste de preços aos supermercados, que ainda têm estoques do produtos.
Paz espera que nesta semana as cotações apresentem pelo menos algum sinal de recuperação. Conforme levantamento da Emater-RS, nas últimas cinco semanas os preços médios do saco de 50 quilos do arroz em casca passaram de R$ 13,24 para R$ 13,16. A cotação máxima ficou estática em R$ 14,00 e a mínima, depois de quatro semanas parada em R$ 12,50, fechou em R$ 12,80 na sexta-feira passada.
O agrônomo do Irga, entretanto, acredita que somente em dezembro ou janeiro os preços poderão superar os R$ 15,00. "É uma tendência histórica, deve haver uma ligeira subida até o final do ano", comentou. No início da safra passada, em fevereiro, as cotações chegaram a alcançar R$ 19,00.
Segundo Paz, da Federarroz, os produtores deveriam receber pelo menos R$ 16,00 o saco para pagar as contas e preparar a próxima safra. Ele disse que a descapitalização dos arrozeiros, aliada à escassez de chuva em algumas regiões do Estado, levará à redução da área plantada, que na safra passada alcançou 977 mil hectares.
"Há consciência de que enquanto durar o excedente não será possível obter preço bom", disse o dirigente. Ele afirmou que a entidade está "orientando" os produtores a plantarem menos este ano. "É uma coisa natural", explicou.
De acordo com Paz, mesmo se forem confirmadas as estimativas de redução de 30% a 40% na área plantada com o produto na Argentina e de 15% a 20% no Uruguai, o Mercosul ainda terá um excedente ao redor de 1 milhão de toneladas na próxima safra.
Neste ano o Brasil produziu perto de 11,3 milhões de toneladas de arroz. Os argentinos colheram 1,6 milhão (para um consumo interno de 200 mil toneladas) e os uruguaios mais 1,2 milhão de toneladas (frente a um consumo local de 150 mil).
A maior parte da produção desses países é exportada para o mercado brasileiro e este ano provocou uma forte queda nos preços internos. Como consequência, o Ministério da Agricultura determinou a realização de testes fitossanitários rigorosos na fronteira, retardando o ingresso do produto importado no País.


