Rio - O resultado do primeiro exame de DNA feito para identificar os restos mortais do jornalista Tim Lopes, da Rede Globo, que desapareceu no início do mês e teria sido morto por traficantes, foi negativo. O laudo do Laboratório Sonda, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi divulgado, ontem, pelo delegado titular da 22ª Delegacia de Polícia (Penha), Sérgio Falante. A análise foi feita nos restos de um dos corpos encontrados na favela de Vila Cruzeiro, que fica no Complexo do Alemão, na zona oeste Rio, onde o jornalista teria sido capturado por traficantes, morto e queimado.
A médica responsável pelo exame de DNA, Concy Maya Caldeira Rinzler, explicou que foram necessários vários procedimentos para separar todo material, que continha grande quantidade de terra, resíduos de borracha e pó de café junto com um pedaço de mandíbula, que serviu para o exame.
O resultado não correspondeu ao sequenciamento de DNA tirado das amostras de sangue do filho de Tim Lopes, Bruno, da mãe e do irmão do jornalista, respectivamente, Maria do Carmo do Nascimento e Argemiro Lopes. ‘‘O sangue e o osso encontrados são do mesmo homem. Mas não são do jornalista’’, afirmou a médica. Ela acrescentou que o exame realizado não permite, porém, precisar o tempo e a causa da morte da pessoa.
A doutora Concy Maya informou que foi preciso solicitar os serviços da paleontóloga da Escola Nacional de Saúde Pública, Sheila Mendonça, especializada em sítio arqueológico, que se encarregou de separar as amostras. Foram necessários 15 dias para se chegar ao resultado final.
Segundo Concy Maya, para se ter idéia da complexidade do trabalho, enquanto o FBI, a polícia federal norte-americana, utiliza 13 áreas de DNA para executar um exame desta natureza, o Sonda usou 21.
A partir de agora, os exames vão se concentrar nos mais de 50 fragmentos de ossos encontrados nos três dias de escavações que a polícia fez no Morro da Grota, no Complexo do Alemão e onde foi localizado um cemitério clandestino. Segundo Concy Maya essa análise deve durar mais de 30 dias. Mas já foi possível identificar que se trata de ossos humanos de homem, mulher e crianças de várias idades. O delegado da 22ª DP admite a possibilidade de fazer novas escavações no local.

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