Restos mortais de Faivre estão em local ignorado
ReproduçãoMédico francês foi idealizador do Comitê de Atendimento Gratuito aos PobresNascido em 21 de setembro de 1795 em Grange Combe Raillar, município de Saint Maurice Jura, na França, Jean-Maurice Faivre assimilou os conceitos difundidos durante a Revolução Francesa de liberdade, igualdade e fraternidade. Ainda jovem, estudou medicina em Paris. Com 30 anos, em 1826, mudou-se para o Brasil onde, ainda solteiro, veio trabalhar no Hospital Militar da Corte, no Rio de Janeiro.
Médico da corte e amigo da mulher de D. Pedro II, Thereza Cristina, tinha muita muita influência entre os nobres. Faivre foi um dos fundadores da Academia Nacional de Medicina no Rio de Janeiro, cujo objetivo era promover a ilustração, o progresso e a propagação das ciências médicas.
Abismado com a falta de estrutura médica no Brasil e da cobrança do atendimento médico, foi o idealizador da Comissão de Atendimento Gratuito aos Pobres. Ele entendia que, antes de tudo, deveria ser um apóstolo desinteressado praticando a arte com zelo e dedicação, inobstante o paciente pudesse ou não retribuir financeiramente.
Casou-se em 1940 com Anne Limard, filha de Pierre Louis Taulois. Mas seu casamento durou pouco. Em 1841, 44 dias após dar à luz uma menina a quem dera o nome de Marie, nos poucos momentos de vida que teve, Anne morreu. Desalentado com a morte da mulher e da filha, decidiu fazer viagens às Províncias do Brasil. Trabalhou em Goiás, pesquisando os efeitos das águas na cura das doenças da pele, com especial atenção para a hanseníase.
Coincidentemente, na região onde está situado o município de Cândido de Abreu são registrados vários casos de hanseníase. A doença hoje está controlada. A água na colônia é sulfurosa, com gosto forte e cheiro de enxofre. Segundo os moradores antigos, a água tem poderes medicinais.
Durante uma viagem à França, em 1846, traçou todo o plano de fundação da Colônia Agrícola Thereza. Vendeu todos seus bens herdados e buscou famílias para que partilhassem esse sonho. Não há registros históricos, mas há quem garanta que a desilusão com as cidades grandes teria levado Jean-Maurice Faivre a se aventurar pelos sertões do Paraná.
Mas Faivre não conseguiu ver seus ideiais serem concretizados, mesmo com os recursos levantados entre os nobres da corte. Um dos problemas enfrentados era a falta de segurança. Aos 63 anos, morreu de malária.
Foi enterrado no cemitério da colônia ao lado de outros companheiros de jornada. O cemitério, anos mais tarde, foi transferido. Os restos mortais de Faivre, no entanto, estão em local ignarado.





