Restaurantes defendem uso da carne de cachorro
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de janeiro de 2002
Jun Kwan-Woo France Presse 
Seul - Criticados no estrangeiro, os restaurantes sul-coreanos que servem carne de cachorro deram sua resposta anteontem oferecendo a seus fregueses cachorros-quentes no sentido literal da expressão.
Dentro de sua campanha de defesa ao que eles consideram uma tradição injustamente atacada pelos ocidentais, os proprietários de restaurantes propuseram uma série de medidas de promoção de sua sua especialidade, a carne de cachorro, como o serviço de entrega em domicílio e variedades de pratos.
Um especialista em nutrição, o professor An Yong-Geun, acusou a atriz francesa Brigitte Bardot de racismo por sua participação na campanha contra o consumo de carne de cachorro na Coréia.
A polêmica sobre a utilização gastronômica da carne de cachorro em restaurantes especializados foi amplamente divulgada pela imprensa, quando faltam poucos meses para o campeonato mundial de futebol, organizado pela Coréia do Sul e Japão.
O tema, que foi alvo de debates por ocasião dos Jogos Olímpicos de Seul em 1988, voltou a ser questionado por associações de defesa dos animais, como também pela Fifa, que pediu às autoridades que dêem fim a esta prática antes do Mundial de futebol.
O professor An insistiu que restaurantes e consumidores unam-se contra as acusações sem fundamento, que apresentam como cruel uma tradição culinária que remonta a mais de 2 mil anos.
An afirmou que milhões de cães são sacrificados anualmente nos Estados Unidos para fabricar produtos alimentícios, o que demonstra que os ocidentais têm dois pesos e duas medidas nestas questões.
Grandes cartazes ornam o edifício no qual se lançou a campanha sul-coreana. Em um deles se pode ler: Não só no estrangeiro existem hot dogs, na Coréia também.
As autoridades sul-coreanas prometeram reforçar os controles sobre os matadouros de cachorros, mas se recusaram a proibir o consumo de carne de cachorro.
Há duas semanas, um grupo de sul-coreanos nacionalistas ameaçou com uma ciberguerra os canais de televisão da França e dos Estados Unidos acusados de difundir informações insultantes para a Coréia do Sul sobre o consumo de carne de cachorro.
Os meios de comunicação estrangeiros criticam um aspecto de nossa cultura ao protestar contra o consumo de carne de cachorro. Eles não têm qualquer arrependimento por sua própria cultura, que permite comer carne de cavalo e caracóis, assinala o grupo, que critica o sentimento de superioridade dos ocidentais e sua ignorância da história asiática.


