O Restaurante Popular de Londrina foi reaberto nesta quarta-feira (8), após quase três meses fechado para obras. A reinauguração ocorre após reforma no local e com novo contrato de operação do espaço, que elevou a contrapartida da prefeitura para cada refeição servida de R$ 7,70 para R$ 12,70. O valor para o usuário permanece em R$ 3.

Com fila na porta desde as 10h, a reinauguração contou com a presença do prefeito Tiago Amaral (PSD), secretários municipais e representantes do Ministério Público. A solenidade oficial acabou atrasando o início do atendimento ao público, que só começou a ser servido próximo das 11h30. O primeiro dia de operação contabilizou 694 atendimentos.

Imagem ilustrativa da imagem Restaurante Popular reabre com aumento de custo para a prefeitura
| Foto: Sergio Ranalli

O espaço, que tem capacidade para ofertar até 700 refeições por dia, foi fechado no dia 17 de abril, após a empresa Cassarotti Foods informar que não tinha interesse de prosseguir com o contrato anterior. A administração municipal, então, fechou o local e iniciou obras de revitalização, com recuperação do telhado, remodelação da cozinha, ampliação de dois para quatro sanitários para os públicos masculino e feminino e instalações adaptadas para pessoas com deficiência. As obras custaram R$ 350 mil e foram entregues em 80 dias, dez antes do prazo inicial de 90 dias.

A liberação dos almoços, que ocorre às 11h, atrasou devido ao cerimonial de reabertura, com manifestação de autoridades. Entretanto, o evento oficial aguardou a presença do prefeito, que reinaugurou, no início da manhã, a UBS do distrito de Irerê e só chegou ao restaurante pouco antes do horário de abertura, fazendo com que as manifestações das autoridades avançassem até perto das 11h30.

O cardápio do dia teve arroz branco, feijão carioca, estrogonofe de frango, batata sauté, repolho chinês e melancia para sobremesa. A nutricionista do restaurante, Claudenice da Silva, explica que o cardápio é montado por uma equipe especializada, composta por três profissionais. “A elaboração leva em conta macronutrientes e micronutrientes que garantem uma alimentação equilibrada”, afirma.

Primeiro da fila após a abertura das portas ao público, João Dias de Barros exibia a ficha que dá direito a um almoço enquanto aguardava a liberação dos pratos.Aos 68 anos, o sertanejano criado em Cambé (Região Metropolitana de Londrina) afirma que almoça com frequência no Restaurante Popular e tinha expectativas quanto ao banquete. “Tomara que a comida seja especial. Eu me sinto muito bem comendo aqui, né? A comida é gostosa ‘pra caramba’, tem tempero bom, não é sem sal. É melhor que certos restaurantes por aí”, afirma.

Com o início do cerimonial, Barros deixou o posto de dianteira para acompanhar as falas das autoridades. Com isso, Osvandir Celso da Silva e Ivani Rosa Aparecida de Andrade foram os primeiros a ser servidos pela equipe do restaurante.

Osvandir Celso da Silva e Ivani Rosa Aparecida de Andrade se deslocam todos os dias do bairro União da Vitória até o Centro de Londrina para almoçar no Restaurante Popular
Osvandir Celso da Silva e Ivani Rosa Aparecida de Andrade se deslocam todos os dias do bairro União da Vitória até o Centro de Londrina para almoçar no Restaurante Popular | Foto: Sergio Ranalli

Moradores do bairro União da Vitória (Zona Sul), o casal almoça diariamente no Restaurante Popular. “Não pagamos o ônibus e apenas R$ 3 pela refeição. Vale a pena, é a melhor coisa do mundo”, diz Silva. No período em que o espaço permaneceu fechado, o gasto com o almoço de ambos saltou para R$ 38, diz ele.

Diabético, Silva afirma que a alimentação não lhe causa problema e que gosta do cardápio por ter “muita coisa do campo”, referindo-se às saladas. “A comida é temperada ‘certinho’, é muito bom”, afirma.

Refeição mais salgada

A reabertura do Restaurante Popular ocorreu após a reforma e um processo licitatório que, segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, Jamil Janene (PP), foi concluída dentro do trimestre. Ainda de acordo com ele, a primeira colocada foi desclassificada e a segunda colocada, que já operava o local, reassumiu a atividade.

Contando com as cerca de 14 mil refeições servidas por mês, a contrapartida para a manutenção do valor para o usuário sobe de R$ 107,8 mil para R$ 177,8 mil. “O valor anterior não pagava (a operação). E a licitação, a gente (administração municipal) não escolhe: é quem participa, quem dá o melhor preço e quem tem a documentação em dia”, justifica o secretário.

À imprensa, Tiago Amaral afirmou que a reforma garante qualidade na alimentação da população e um espaço adequado para isso. “Quem frequentava aqui, sabe que as condições do local eram deploráveis. Houve laudo da perícia da prefeitura dizendo que o telhado e outras estruturas estavam condenados. Também havia o problema do fim da empresa que fazia o serviço. Tínhamos que resolver a reforma e a nova licitação. Tudo aconteceu no prazo.”

O prefeito ainda afirmou que a instalação de um novo restaurante popular em outra região depende de avaliações técnicas. “ Vamos identificar o melhor lugar, com estudo da Secretaria de Infraestrutura junto com a da Assistência Social. Também precisamos pensar no impacto para os pequenos comerciantes locais”, alertou.

mockup