Ressaca no Rio é causada por conjunção de frente fria com lua cheia
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Por Adriana Ferreira e Roberta Pennafort (especial para a AE) 
Rio, 31 (AE) - A conjunção de uma frente fria com o período de lua cheia provocou uma nova ressaca nas praias do Rio
com ondas que chegaram 2,5 metros de altura. Desde a madrugada de hoje, o mar vem tomando toda a faixa de areia e trazendo a planta aquática gigoga. Cerca de cem toneladas de areia e da planta foram retiradas durante todo o dia dos calçadões de Ipanema e Leblon, zona sul. De acordo com o oceanógrafo David Zee, quarta-feira (02), a ressaca deve diminuir. Até porque a frente fria se deslocou para o Sul da Bahia.
Um grupo de cem garis foram designados para fazer toda a limpeza da orla, de Copacabana à Barra da Tijuca. O calçadão do Arpoador ficou completamente tomado pelas gigogas. Para realizar a limpeza da orla, as pistas das Avenidas Delfim Moreira, Leblon e Vieira Souto, em Ipanema, que estavam escorregadias, foram interditadas pela manhã, provocando um engarrafamento na zona sul. A areia, jogada pelas ondas, ficou espalhada nas ciclovias e no asfalto, enquanto alguns quiosques do Leblon foram invadidos pela água.
O Grupamento Marítimo isolou o mirante da Avenida Niemeyer e o píer na Barra da Tijuca. De acordo com o comandante do Grupamento Marítimo, coronel Marcos Silva, 43 pescadores foram retirados de áreas risco, em uma operação que começou na madrugada de ontem (30).
Além da ressaca, a frente fria ocasionou, no fim de semana, ventos fortes, com velocidade de 48 quilômetros horários. Segundo o meteorologista Almerino Marinho, do Instituto Nacional de Meteorologia do Rio, o tempo deve melhorar na tarde de amanhã (01) e com elevação da temperatura.
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Zee diz que o carioca deve se preparar, pois outras ressacas devem ocorrer, uma vez que o período de marés altas costuma ser frequente no outono e inverno. "Acho que o ápice será em julho, mas, até agosto, teremos ressacas como essa", conta.
Para Zee, houve uma conjunção do que se denomina de maré astronômica (mudança de marés em consequência da lua) e com a maré meteorológica (marés altas provocadas pela ação do vento). As marés meteorológicas são responsáveis pelo avanço da água em direção ao litoral do Rio. Por conta disso, o professor lembra que as autoridades devem ficar vigilantes quanto ao estado do emissário submarino, uma vez que muitas pilastras estão com problemas de fadiga de material.


