RIO - O pesquisador David Zee, do departamento de oceanografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), afirmou que o vento sudeste foi o responsável pelo fato de a forte ressaca nas praias do litoral carioca ter provocado estragos também no interior da Baía de Guanabara, região normalmente protegida dos fortes ventos. De acordo com os cálculos iniciais da Prefeitura, a ressaca causou o prejuízo de R$ 5 milhões e deixou pelo menos uma pessoa desaparecida: Leandro Miranda, de 15 anos.
Zee afirma que normalmente as ressacas estão associadas à entrada de frentes frias com o vento sudoeste. ‘‘As ondas formadas pelos ventos sudoeste não costumam causar maiores estragos porque batem no Pão de Açúcar, que protege a Baía’’, disse. Desta vez, porém, as ondas foram provocadas pelo vento sudeste que sopra justamente em direção à boca da Baía de Guanabara, um fato considerado raro pelos oceanógrafos. ‘‘O vento sudeste pega a Baía escancarada’’, explicou.
O pesquisador também afirmou que entre as áreas atingidas fora da Baía de Guanabara, a que provoca mais preocupação é a praia do Arpoador, uma das áreas mais valorizadas da zona sul do Rio. Segundo Zee, desde o verão, a faixa de areia da praia vem ficando mais estreita e a ressaca do fim de semana praticamente levou o mar até a calçada. ‘‘Se não repuserem a areia no local, uma próxima ressaca pode atingir os prédios do Arpoador, porque entre o mar e as construções existe apenas uma calçada de 10 metros de largura’’, afirmou.
O Corpo de Bombeiros e o próprio Exército continuam fazendo buscas para tentar localizar o rapaz Leandro Miranda, desaparecido desde sábado, quando foi tragado pelo mar quando passeava no caminho que circunda o Pão de Açúcar, na Urca, zona sul. Leandro foi tragado junto com seu amigo Bernardo Bandeira da Silva, de 14 anos, que conseguiu ser resgatado a tempo por um helicóptero dos bombeiros.

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