Agência Estado
Do Rio
O ex-superintendente de Meio Ambiente, Qualidade e Segurança Industrial da Petrobras José Carlos Moreira disse ontem, em depoimento à Polícia Federal, que não tinha experiência nenhuma em gestão ambiental ao assumir o cargo. Ele foi exonerado quatro dias após o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara.
Moreira assumiu o posto em abril do ano passado. Engenheiro de equipamentos, ocupou durante oito anos o posto de coordenador de Qualidade – coordenadoria que cuida de métodos e processos para otimizar a produção. Na ocasião do vazamento, Moreira estava em férias no Chile, de onde só voltou na última segunda-feira. Ele foi exonerado por telefone.
Como estava fora do País, Moreira não soube informar ao delegado da PF, Ricardo Bechara, quais foram os procedimentos adotados depois da descoberta do vazamento.
A procuradora da República Gisele Porto constatou ontem, durante inspeção, que o programa usado na comunicação entre a Reduc e o Dutos e Terminais do Sudeste (DTSE) está sujeito a falhas. Uma falha humana, segundo a Petrobras, fez com que o vazamento na Baía de Guanabara só fosse detectado quatro horas depois de seu início.
A comunicação entre as unidades é feita por telefone, de duas em duas horas, pois o programa de medição automática do volume de entrada e saída de óleo ainda está em teste. Gisele poderá incluir uma nova cláusula no Termo de Ajustamento de Conduta, que deverá ser assinado amanhã, para que a Petrobras se comprometa a fazer melhorias no programa de comunicação.
O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, e o engenheiro Laércio Horta, coordenador de Meio Ambiente da área de Abastecimento da estatal, divergiram sobre o principal problema ambiental a ser enfrentado na Reduc após o desastre ambiental.
Reichstul disse, na sexta-feira, considerar o sistema de resfriamento da Reduc, que utiliza água da baía, o ‘‘principal problema da refinaria do ponto de vista ambiental’’. Ainda segundo o presidente, durante o processo de resfriamento das unidades da Reduc, a água, que é devolvida à baía em temperatura acima da original, acumula resíduos de ‘‘vários produtos contendo petróleo e derivados’’. Reichstul disse, porém, que não há verba definida para resolver o problema.
Laércio Horta, o engenheiro responsável pela supervisão dos oleodutos na Reduc, disse que esse ‘‘não é o principal problema ambiental da Reduc, mas o principal item em discussão pela estatal’’. Segundo Horta, a água só sai poluída com resíduos de petróleo se houver algum problema nos dutos. ‘‘Na verdade, se tudo estiver ocorrendo de maneira normal, o atual sistema de resfriamento limpa a baía’’, afirmou.
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro entregou ontem aos advogados da Petrobras uma relação suplementar com cerca de 500 nomes de pescadores e pequenos comerciantes de Praia de Mauá, no distrito de Magé, que tiveram suas atividades profissionais paralisadas por causa do vazamento. Eles também serão indenizados, conforme acordo fechado com a estatal. Com base em levantamento da empresa, outras 5.700 pessoas vão ser indenizadas. As indenizações começam a ser pagas hoje.O ex-superintendente de meio ambiente da Petrobras disse em depoimento à PF que não tinha experiência em gestão ambiental quando assumiu o cargo
Arquivo FolhaQUESTÃO AMBIENTALPresidente da Petrobras e engenheiro divergem sobre os procedimentos a ser feitos na Reduc

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