Responsáveis "esquecem" de avisar acusação e PMs acabam soltos
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sábado, 15 de maio de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 16 (AE) - O juiz Tullio Vicente Barbato, da 1ª Auditoria Militar, decretou a prisão preventiva de cinco policiais militares do Tático Móvel, acusados de deter dois jovens na Rua da Consolação, no centro, interrogá-los atrás do cemitério da mesma rua e matá-los nove horas depois, na esquina da Rua Ministro Rocha Azevedo com a Alameda Santos, nos Jardins.
Era 1984. A Justiça Militar parecia ter sido rápida, pois o crime ocorrera em 29 de fevereiro e a prisão, em 22 de maio. O juiz escreveu que os acusados deviam permanecer detidos até o julgamento, dada a "periculosidade deles e para a garantia da ordem pública".
Doze anos depois, o processo ainda não havia terminado. Desde 1989 o cartório da 1ª Auditoria "esquecera" de avisar cinco vezes a acusação sobre o andamento do caso, provocando sua paralisação. Isso apesar de cerca de 10 metros apenas separarem a sala do promotor do cartório. Assim, os acusados foram soltos, não foram julgados e ficaram impunes.
Esse caso faz parte do dossiê preparado pelo procurador Antonio Ferreira Pinto, então promotor da 1ª Auditoria, que denunciou o sumiço e reaparecimento de processos na Justiça Militar.
Havia oito testemunhas de acusação no processo. Entre elas, o taxista que presenciou a detenção das vítimas e um contraventor que, detido antes pelos policiais, dividiu por algum tempo o compartimento de presos da Veraneio até que, decididos a matar os rapazes, os PMs resolveram soltá-lo.
Essa testemunha contou aos apuradores do crime por que o tenente e os quatro soldados decidiram matar Valdeci Antonio da Silva e o adolescente Roberto Thomaz de Oliveira: ao ser espancado, o garoto contou que era o autor de um homicídio.


