O técnico agrícola e artista plástico Sebastião Marcos de Souza e sua esposa, Vanda Aparecida Di Carmine Souza, tiveram reconhecida pelo IAP uma RPPN de sua propriedade, a Vale da Vida, uma área de três hectares em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro).
O projeto nasceu do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Artes Plásticas na Universidade Estadual de Londrina (UEL) de Sebastião de Souza, que relacionava arte com preservação ambiental. O artista já possuía um sítio de 25 hectares, e decidiu reservar três para uma ideia que alimentava desde que havia viajado para Israel, aos 21 anos de idade: criar um espaço em que as pessoas poderiam homenagear outras com o plantio de árvores. Desde 2004, a comunidade da região já plantou aproximadamente 1,2 mil exemplares de 56 espécies nativas diferentes no local.
Souza relata que não quis apoio do poder público para o projeto por dois motivos. "Em primeiro lugar, pela burocracia. Tudo que envolve essa esfera é ‘jogado’ de um lado para o outro. Segundo: eu não queria ficar vinculado a políticos", justifica.
O produtor rural Nikolaus Schauff teve reconhecida em 2003 a RPPN Fazenda Carambola, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). "Quando comprei a propriedade, em 1973, eu a escolhi porque tinha uma área de mata nativa de 50 alqueires que eu queria preservar. Bem depois, o IAP entrou em contato comigo para fazer uma RPPN ali", relata.
"Para mim, não mudou muita coisa (a criação da RPPN). O IAP ajuda um pouco na fiscalização da área. A prefeitura se comprometeu a fazer melhorias na estrada (que leva à região da reserva), mas não aconteceu muita coisa", diz o produtor. "Se tivesse mais incentivo, acredito que mais gente faria esse tipo de empreendimento."
A Prefeitura de Rolândia informou que aguarda a chegada das Patrulhas do Campo, projeto do governo do Estado, para recuperar estradas rurais, previsto para novembro.
No início dos anos 1990, o produtor rural Cid Mendes, de Palmeira (Campos Gerais), cedeu uma área de aproximadamente 150 hectares em uma fazenda para que seu filho, o biólogo Cidnei Mendes, que administrava a propriedade, constituísse uma RPPN no local. Uma iniciativa pioneira: a reserva particular Fazenda Alegrete foi reconhecida pelo governo federal em 1994, quando ainda estava em vigor outro decreto, de 1990, que regulamentava a criação de RPPNs e que foi substituído em 1996.
"Foi iniciativa própria, para preservar mata nativa e nascentes", relata Cidnei. Hoje, ele se queixa da falta de apoio para manter a unidade. "Até procurei órgãos públicos para fazer atividades educativas ou de lazer na área, mas não deu certo", reclama. "Fica uma responsabilidade enorme sobre você e há pouco retorno." (F.G.)

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