Marcos Zanatta
De Maringá
O primeiro centro no Brasil que trata de pacientes que respiram pela boca (respirador bucal) está funcionando em Maringá, reunindo profissionais de cinco especialidades. Segundo Mariane Arns, pediatra do Centro Integrado do Respirador Bucal (CIRB), apenas na Argentina existe uma clínica semelhante, onde o paciente recebe todo o tratamento em um só local. Normalmente as pessoas que têm problema de respiração bucal passam por quatro especialistas: otorrino, dentista, fisioterapeuta e fonoaudiólogo. Quando menores, são assistidos por um pediatra.
Todos os atendimentos em um só local, segundo Mariane, reflete no resultado do tratamento. Fora do centro, o paciente passa por um dos especialistas e depois é encaminhado para outro que vai continuar ou complementar o tratamento. ‘‘O tempo gasto entre o encaminhamento, o agendamento da consulta e o resultado final dos exames acabava retardando a recuperação do paciente’’, explica a médica. ‘‘Muitas vezes as mães acabavam desistindo do tratamento’’.
O reflexo negativo maior, segundo Mariane, era sentido pelas crianças, que são as maiores vítimas da respiração bucal. ‘‘Aqui elas saem de uma sala direto para outra, sem demora, o que agiliza em muito o resultado’’, diz. Outra diferença é que antes o paciente passava apenas pelas especialidades que o profissional anterior indicava, justamente pela dificuldade no agendamento de consultas e a morosidade dos resultados.
No CIRB, todos os especialistas analisam o paciente, melhorando o diagnóstico e o tratamento. ‘‘Além disso, temos a certeza de que o tratamento é executado da forma mais completa possível’’, garante. O paciente frequenta o centro duas vezes por semana.
O respirador bucal não é considerado um doente. Mariane explica que o diagnóstico deve ser feito na criança, de preferência entre os 4 e os 9 anos de idade. ‘‘O respirador bucal tem dificuldades em dormir, dificultando o rendimento durante as atividades do dia’’, explica. Uma criança que não consegue prestar atenção na aula ou que é muito ativa pode estar com o problema.
Nos adultos, o normal é o ronco. Sem o tratamento, segundo a médica, a pessoa vai respirar de forma errada durante muitos anos, comprometendo partes do corpo, desde os ossos da face até os pulmões, afetando desde a alto estima do adolescente até a saúde do adulto.
O tratamento, mais comum em crianças, deve ser feito também por adultos. A maior parte dos pacientes do CIRB tem entre 5 e 18 anos, que ficam em média de seis meses a um ano em tratamento. Antes, o tempo dependia muito da disponibilidade da família, do paciente e dos próprios profissionais envolvidos.

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