O curso ''HIV e Aids: Re(significando) a Prática'', trouxe a Londrina na semana passada dois especialistas nacionais em treinamento para educadores. Eles explicaram à Folha como é o processo de aprendizado e qual é o impacto espeérado na visão do professor sobre estas questões.
A psicóloga Christiane Moema Alves Sampaio (RJ), da Associação Brasileira de Redutores de Danos, explica que ''esses esquemas transversais que circundam a Aids e a sexualidade: gênero, cidadania, diversidade são trabalhados''.
Para a psicóloga, o desafio é conseguir montar uma proposta pedagógica e ao mesmo tempo introduzir relatos práticos desses temas em sala de aula. ''A gente tem uma experiência longa na área e vai vivenciando com eles este aprendizado'', sintetiza ela.
O médico infectologista Marcelo Araújo Campos, especializado em medicina preventina e ligado à programas municipais de redução de danos em Belo Horizonte ressalta que ''o trabalho com os professores énecessário para romper suas próprias barreiras morais. No Brasil, segundo ele, a tradição é moralista. ''A gente não tem a pretensão de ensinar um jeito de viver, queremos ajudar esta pessoa a refletir sobre como ter uma vida melhor''.
Para ele, a chave para uma prevenção mais consistente é o respeito mútuo. Exemplo: ''Você tem todo o direito de não gostar de um homossexual. O que você não tem direito é de cometer uma injustiça com um homossexual em nome deste preconceito''. E acrescenta: ''Um lugar onde um quer impor seu modo de vida sobre o outro é um lugar violento.''
Segundo Campos, o educador tem que buscar uma construção de bem-estar social. ''Não precisa falar sobre vírus para falar de HIV. Falar de relações afetivas, mutuamente respeitosas, de pessoas se cuidando, isto é prevenção: de gestação fora de hora, de abuso de drogas, acidente de carro. E esta atitude respeitosa não deve ser adestrada''. L.F.M.

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