São Paulo, 22 (AE) - O deputado federal Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP), ex-presidente da Força Sindical, disse que ficará ao lado dos trabalhadores de São Paulo, na luta pela manutenção da fábrica da Ford no bairro do Ipiranga, contra "quem quer que seja", numa referência ao senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), seu companheiro de partido e o maior responsável pela aprovação de subsídios para a montadora instalar uma nova fábrica na Bahia. "A minha lealdade é com os trabalhadores que votaram em mim", afirmou. "Tenho todo o respeito ao ACM, mas acima dos partidos fico com os meus eleitores."
Medeiros promete uma ampla mobilização contra o fechamento da fábrica no bairro do Ipiranga. "Não vamos permitir a saída de jeito nenhum", disse. A instalação de uma nova unidade da montadora na Bahia, segundo ele, não pode implicar no fechamento da fábrica paulista e em 1.300 demissões. Ele já pediu uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, para pedir sua interferência em defesa dos metalúrgicos paulistas. "Ninguém vai ficar em cima do muro nesse caso."
Na última terça-feira, Medeiros recebeu um telefonema do presidente da Ford, Antônio Maciel Neto, mas não pôde atender, porque assistia à posse do novo ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho. Em seguida, tentou falar com ele, mas não conseguiu. Hoje, Medeiros cogitou que Maciel estaria o procurando para comunicar alguma decisão referente à fábrica de caminhões do Ipiranga. Hoje, às 16h, Medeiros participará da reunião entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e a direção da montadora.
"Não tenho nada contra a concessão de subsídios para a instalação da fábrica na Bahia", disse o deputado, acrescentando: "Desde que isso não gere o desemprego em São Paulo." Além dos 1.300 empregos diretos, a Ford gera um número importante de empregos indiretos. "Uma decisão dessa é de uma irracionalidade total", afirmou.

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