Paris, 18 (AE) - Os jornais, sobretudo os diários, melhoraram. É o veredito do Congresso Mundial dos Editores de Jornais que se deu em Zurique (Suíça). O contentamento é novo. Nos anos anteriores, eram só lágrimas, amarguras e choradeiras: as vendas caíam, a qualidade enfraquecia, a publicidade diminuía.
Perguntava-se, ansiosamente, se o desinteresse dos jovens, a concorrência da televisão e da Internet iam levar a imprensa cotidiana para o cemitério.
Neste ano, esse marasmo caducou. Os editores ostentam: "Os jornais voltam ao que eram antes, após uma década dura". Milagre: os jovens lêem cada vez mais jornais diários, na maior parte dos países e, inclusive, no Brasil.
Do mesmo modo, o espantalho Internet foi reduzido a modestas proporções. Observa-se um fenômeno inesperado: os jovens conectados à Internet lêem mais cotidianos do que os outros jovens.
Um grande número de parâmetros foi examinado para explicar essa melhora. Evidentemente, o refluxo da crise econômica nos países europeus explica essa ressurreição. A melhora do clima econômico dá conta do enorme aumento das receitas publicitárias observadas "em todos os países", receitas que ultrapassaram o mais alto nível da década de 80.
Outro elemento, mais surpreendente, ressaltou os editores: a qualidade da redação melhorou, sistematicamente, e o público respondeu logo: a circulação dos bons jornais aumentou prontamente.
O vice-presidente do New York Times, Michael Golden, declara: "A excelência editorial e a independência são indispensáveis à nossa rentabilidade e foram consolidadas em nosso benefício".
Dois jornais belgas do grupo Der Pesgroep (Laastle Nieuws e De Morgen) explicaram: "Todo o nosso dinheiro foi para as salas de redação para melhorar nossa qualidade editorial".
A conclusão geral foi expressa nesses termos: "A volta à rentabilidade é indissociável de uma política editorial baseada em valores relativos à redação que jamais cedem às exigências".
Essa quase unanimidade dos maiores dirigentes da imprensa mundial é eloquente e animadora. Há alguns anos, obcecados pelos desequilíbrios financeiros, os editores (nem todos, graças a Deus! Alguns jornais jamais cederam às exigências) tentaram, sobretudo, um "nivelamento por baixo", a rapidez, a vulgaridade, a falta de cultura, a recusa dos artigos "de alto nível". Simplesmente, eles consideravam o público mais besta e mais ignorante, o que ele não é.
Essa política agravou a crise. Foi preciso que o público interviesse, que os compradores rejeitassem os jornais vulgares e, ao contrário, procurassem artigos sólidos, brilhantes, literários, refinados para os editores compreenderem seu erro. E, após um ou dois anos de tratamento da "inteligência", constata-se que o remédio foi bom: a situação da imprensa diária melhora em todo o mundo.

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