Colônia, 08 (AE-ANSA) - Uma "substancial autonomia" para Kosovo e o compromisso de respeitar a integridade territorial da Federação Iugoslava, incluída a província sérvia, são os principais pontos da resolução adotada nesta terça-feira (08) no Grupo dos Oito e que deve ser aprovada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
O preâmbulo do texto reitera que os países membros da ONU se comprometem a salvaguardar a integridade territorial da Federação Iugoslava, da qual Kosovo faz parte.
Segundo os Estados Unidos, isso não significa fechar a porta para a perspectiva de independência de Kosovo, que reconquista a "substancial autonomia" que lhe foi revogada dez anos atrás pelo presidente Slobodan Milosevic.
O texto do G-8 (composto pelos sete países mais desenvolvidos e a Rússia) faz referência a "um processo político que determinará o futuro status" de Kosovo e menciona os acordos de Rambouillet que, depois de três anos, prevêem negociações para definir o futuro do território.
Kosovo, no texto, é classificado como uma ameaça à paz e estabilidade internacionais, o que autoriza a intervenção internacional com base no capítulo VII do Estatuto da ONU em um conflito que Belgrado, por seu lado, considera um problema interno.
A resolução também estabelece a retirada das forças iugoslavas - como pede a Otan -, mas permite que Belgrado mantenha uma força simbólica.
A Rússia conseguiu, neste sentido, eliminar do esboço qualquer referência à Aliança e fala do plano Chernomyrdin-Ahtisaari - aceito por Belgrado - com uma participação da Otan.
Em relação ao contingente russo, na resolução não se esclarece a relação entre as tropas de Moscou e a força internacional. A Rússia exige que suas tropas tenham uma estrutura de comando separada, mas a Otan teme que isto seja o prelúdio de uma divisão de Kosovo. A resolução deixa o controle de uma administração provisória nas mãos de um representante do secretário-general da ONU.
O texto prevê que a vigilância das fronteiras iugoslavas seja realizada pela força multinacional, com uma presença sérvia. Neste ponto, Belgrado esperava contar com um poder maior para impedir que, entre os refugiados, regressem ao território kosovar os guerrilheiros do Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
Apesar de objeções da Rússia, o esboço pede também a total cooperação com o Tribunal Penal Internacional para os crimes de guerra na ex-Iugoslávia, que indiciou Milosevic por "crimes de guerra e contra a humanidade".

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