Lisboa, 27 (AE-REUTERS) - As autoridades de Lisboa e representantes da resistência da ex-colônia portuguesa de Timor Leste reagiram hoje (27) com prudência e ceticismo com relação ao anúncio indonésio sobre um eventual abandono do território, anexado por Jacarta em 1976.
O presidente português, Jorge Sampaio, considerou "prematuro" fazer comentários sobre as declarações do ministro da Informação indonésio, Yunus Yosiah, segundo as quais a Indonésia poderá conceder a independência ao território se os timorenses rejeitarem a autonomia proposta por Jacarta.
"As contradições são numerosas na Indonésia e seu poder está longe de ser sólido", destacou Sampaio. A Indonésia tem atualmente um governo interino, liderado pelo presidente J.B. Habibie, formado em maio, após a renúncia do ditador Suharto.
O presidente português informou que para Lisboa o mais importante é a continuação das conversações com a Indonésia sobre o futuro de Timor Leste. "Deixemos que o processo continue, esperando alcançar um acordo razoável."
O Prêmio Nobel da Paz José Ramos-Horta, vice-presidente do Conselho Nacional da Resistência Timorense, manifestou sua desconfiança "do grupo de mentirosos de Jacarta". Segundo Ramos- Horta, "os indonésios fazem bonitos discursos para agradar a comunidade internacional, mas ampliam a repressão no território".
O dirigente da resistência prometeu "estudar com mais atenção" o anúncio do ministro de Informação. "Estamos acostumados a ouvir declarações que imediatamente são retificadas, até mesmo completamente modificadas."
O governo britânico, por sua vez, saudou a abertura apresentada pela Indonésia. O chanceler Robin Cook disse que o anúncio "constitue um passo no bom sentido".

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