Resistência do vírus preocupa médicos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de outubro de 1998
Eliane Azevedo Agência Estado 
O maior problema do coquetel de drogas contra a AIDS não está nos efeitos colaterais, nem no custo do tratamento, mas num fator que compromete sua eficácia a longo prazo: a resistência que o vírus HIV desenvolve contra os remédios.
Segundo o professor Joel Gallant, da John Hopkins University, de Baltimore, Maryland, EUA, 50% dos pacientes tratados com o coquetel nos Estados Unidos tornam-se resistentes às drogas que, assim, não conseguem eliminar o vírus.
Embora a curto prazo o tratamento seja eficaz, estamos preocupados com esse alto porcentual de resistência, revelou.
Gallant vai falar sobre o tema hoje na 2ª Conferência Brasil-John Hopkins University sobre HIV/Aids, que começou ontem no Rio de Janeiro.
Os estudos realizados pela universidade demonstram, explicou o professor, que a resistência surge quando o paciente, seja por falha sua ou por má orientação médica, não toma as doses de medicamentos de forma correta. O mesmo acontece quando o doente já se tratou antes com tantas drogas que o vírus tornou-se extremamente resistente.
Para prevenir o problema, ele aconselha que o médico tenha cuidado na prescrição dos remédios. O paciente também tem um papel fundamental, porque qualquer pequeno erro pode ser perigoso, alertou ontem, Joel Gallant.
Além das dificuldades no manuseio da terapia anti-retroviral, as manifestações neurológicas, psiquiátricas, dermatológicas e ginecológicas na infecção pelo HIV são alguns dos temas que também serão debatidos hoje no Rio.


