O maior problema do coquetel de drogas contra a AIDS não está nos efeitos colaterais, nem no custo do tratamento, mas num fator que compromete sua eficácia a longo prazo: a resistência que o vírus HIV desenvolve contra os remédios.
Segundo o professor Joel Gallant, da John Hopkins University, de Baltimore, Maryland, EUA, 50% dos pacientes tratados com o coquetel nos Estados Unidos tornam-se resistentes às drogas que, assim, não conseguem eliminar o vírus.
‘‘Embora a curto prazo o tratamento seja eficaz, estamos preocupados com esse alto porcentual de resistência’’, revelou.
Gallant vai falar sobre o tema hoje na 2ª Conferência Brasil-John Hopkins University sobre HIV/Aids, que começou ontem no Rio de Janeiro.
Os estudos realizados pela universidade demonstram, explicou o professor, que a resistência surge quando o paciente, seja por falha sua ou por má orientação médica, não toma as doses de medicamentos de forma correta. O mesmo acontece quando o doente já se tratou antes com tantas drogas que o vírus tornou-se extremamente resistente.
Para prevenir o problema, ele aconselha que o médico tenha cuidado na prescrição dos remédios. ‘‘O paciente também tem um papel fundamental, porque qualquer pequeno erro pode ser perigoso’’, alertou ontem, Joel Gallant.
Além das dificuldades no manuseio da terapia anti-retroviral, as manifestações neurológicas, psiquiátricas, dermatológicas e ginecológicas na infecção pelo HIV são alguns dos temas que também serão debatidos hoje no Rio.

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