Resistência do consumidor deve frear repasses
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de julho de 1999
Por Vera Dantas 
São Paulo, 10 (AE) - Os cálculos do reajuste das tarifas começam a ser feitos pelos empresários e a tendência é de repasses cautelosos e graduais. "A indústria não tem mais a capacidade de ajuste da época em que o mercado era fechado," diz o empresário Boris Tabacof, presidente do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "A concorrência entre as empresas é muito grande, o índice de desemprego ainda é altíssimo e o consumidor hoje é mais consciente e resistente a reajustes," justitica.
O presidente da Sadia, Luís Antonio Furlan, pretende compensar parte dos reajustes tarifários com racionalização de custos. "Podemos reduzir gastos com energia, por exemplo, ou investirmos mais em logística." O quanto será repassado, diz, depende do que o mercado aceitar.
O diretor-superintendente da Bombril-Círio, Mauro Luís Pinto e Silva, também prevê que parte dos últimos aumentos deve ser absorvidos pela empresa que obteve ganhos com a reorganização de sua estrutura, investimentos em logística e descentralização da produção, que reduziu o custo do frete.
O diretor de Marketing da LG Eletronics, Mario Kudo, está preocupado com o desgaste que o setor de eletroeletrônicos vai sofrer para negociar aumentos. "Já precisamos de um reajuste de 10% a 15% independente dos aumentos de tarifas," diz Kudo.
A LG pretende exportar mais e reduzir custos com a produção para absorver parte dos aumentos tarifários. "A indústria de eletroeletrônicos já tem uma necessidade de ajuste que o mercado não está aceitando porque as vendas estão abaixo da expectativa e o mercado é muito competitivo," diz.


