Brasília - Pacientes brasileiros desenvolveram menos resistência ao coquetel contra a Aids do que doentes de outros países, revelou pesquisa publicada em abril na revista científica norte-americana ''Aids''. ''É um atestado de reconhecimento da qualidade da política brasileira'', comemorou ontem o coordenador do Programa Nacional de Combate à Aids, Paulo Roberto Teixeira, informando também que mais de 300 mil brasileiros estão com Aids, mas nem desconfiam.
O estudo mostra que no Brasil a prevalência de vírus da Aids resistentes ao coquetel é de 6,6%, enquanto que no Reino Unido é de 14% e nos Estados Unidos e Canadá varia de 15% a 26%.
A publicação da pesquisa ocorre num momento em que a política brasileira de distribuição de remédios contra Aids volta a ser atacada, segundo Teixeira, por um ''movimento consistente da indústria farmacêutica internacional''. Ele não tem provas, por isso não pode nominar os responsáveis, mas conta que, dois anos atrás, acusavam o Brasil de criar fenômeno mundial de resistência a remédios por distrituir coquetel à população pouco escolarizada. Agora, o Banco Mundial (Bird) convocou uma reunião para o próximo mês em Washington para discutir a resistência a remédios.
Segundo Teixeira, o Bird começou no ano passado a financiar programas de distribuição de remédios, com base na experiência brasileira. No Brasil, o dinheiro do Bird para Aids foi restrito à prevenção e treinamento de pessoal. Para Teixeira, a reunião do Bird é sinal de nova pressão dos laboratórios.
O Brasil irá ao encontro e a todos os fóruns internacionais para defender a política de acesso universal a remédios e estará munido do estudo publicado na revista ''Aids'' e produzido pela rede brasileira de vigilânica da resistência do HIV frente aos anti-retrovirais (Revire), que é composta pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação Hemocentro e Instituto Adolfo Lutz, entre outros.
O governo brasileiro também não recuará na negociação com os laboratórios para reduzir preços dos remédios Nelfinavir, Efavirens e Lapinavir. Se o governo não receber descontos adicionais, até o final do ano, partirá para quebra de patente e produção de genérico no Brasil, avisou Teixeira, que está preocupado ainda em aumentar o índice de detecção da doença no País.
O índice de mortalidade no País caiu à metade, nos últimos quatro anos. Mas desde a década de 80 já morreram 151 mil pessoas com Aids. Estão em tratamento no País, 130 mil pacientes. Outros 130 mil já sabem da doença, mas ainda não necessitam do coquetel.

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