Frente às adversidades algumas pessoas sucumbem e outras não. Essa capacidade de superar problemas - chamada de resiliência - é fundamental para manter o equilíbrio emocional, reduzir os riscos de doença e melhorar a qualidade de vida. A boa notícia, segundo o consultor Eduardo Carmello, é que é possível desenvolver essa habilidade. Ele esteve em Londrina, na última semana, ministrando a palestra ''Resiliência - competência para superar adversidades e enfrentar desafios'', para funcionários da Unimed, em comemoração ao dia do trabalho.
Carmello explica que o termo resiliência vem do latim, cujo significado é ''saltar para trás e voltar ao estado original''. ''É a capacidade de flexibilizar e fazer ajustes, e antecipar os acontecimentos'', afirma. Nesse sentido, o conceito ''cai como uma luva'' para a saúde, que tem na prevenção a melhor maneira de focar as doenças. ''Também sob a ótica da medicina, os resilientes são aqueles pacientes que se recuperam de maneira saudável de traumas, acidentes, doenças sérias'', avalia.
O uso original do termo vem da Física, que conceitua a resiliência como a propriedade que alguns corpos têm de retornar à forma original depois de terem sido submetidos a uma pressão. Mas, no próprio dicionário já há a definição de que a resiliência é a capacidade de se recobrar facilmente ou de se adaptar às mudanças.
Segundo o consultor, algumas pesquisas mostram que em um ambiente hostil, 20% das pessoas não sucumbem às adversidades. Por exemplo, nos campos de concentração nazista. ''Mesmo naquele ambiente algumas pessoas tinham o firme propósito de continuar vivas, enquanto podiam estar falando 'nossa, como estou sofrendo, isso não é vida'. Possivelmente porque encaravam aquilo que estavam vivendo como uma circunstância, e que a vida era muito mais que aquilo'', aponta.
Frente a uma situação adversa, esclarece o consultor, é possível agir de dois modos: fazer do fato um aprendizado, criando um significado para ele, administrando-o e superando-o. Ou sucumbir, reagindo com estresse e desgaste.
Um exemplo dado pelo consultor é o de um casal, cuja filha morreu. O homem entrou em profunda depressão e não conseguiu mais trabalhar. Já a mulher chorou e sofreu por bastante tempo, mas por fim decidiu criar uma instituição de apoio a crianças, ''fazendo daquela experiência um propósito maior''.
''O conflito enquanto 'função' é bom, porque é quando consigo entender várias opiniões e aprender com elas. Mas, como 'desvio' é ruim, porque gera tensão, que leva ao estresse e à doença'', avalia. Ele lembra que no mundo corporativo doenças mentais como depressão, síndrome de burnout (extrema exaustão física e mental causada pelo trabalho), e presenteísmo (falta de foco no trabalho), serão os maiores fatores de risco de afastamento do trabalho. ''E isso vai afetar profundamente os custos com a saúde e o desempenho organizacional'', aponta.
Para Carmello, como potência todos nós somos resilientes, mas o melhor não é falar ''sou resiliente'', mas ''estou resiliente'', já que a capacidade pode ser desenvolvida. ''Para isso há um conjunto de ferramentas e técnicas para se reconectar com suas capacidades interiores'', ressalta. (Confira no texto ao lado)

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