Resíduos sólidos comprometem meio ambiente
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quinta-feira, 27 de novembro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A capital paranaense é conhecida nacionalmente pelo programa ''Lixo que não é lixo'', que separa o lixo reciclável do orgânico, dando destino adequado ao primeiro. Mas um outro tipo de resíduo, produzido quase na mesma quantidade do lixo comum em Curitiba e região metropolitana, não tem o mesmo destino e pode comprometer o meio ambiente. Trata-se dos resíduos sólidos gerados por reformas ou construções, como tijolos, cimentos, ferros retorcidos, concreto e outros materiais que sobram após o encerramento de uma construção civil. Diferente do lixo reciclável, esses materiais não têm locais adequados para serem depositados. Uma parceria entre a Prefeitura de Curitiba e o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) no Paraná quer mudar essa situação.
Sindicato e prefeitura assinaram um protocolo de intenções para buscar soluções para o problema. Até o final do ano, representantes do município e de empresas privadas devem realizar duas reuniões para traçar estratégias que devem ser colocadas em prática até o primeiro semestre do ano que vem. A parceria, no entanto, não acontece por acaso. Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determina que as prefeituras estabeleçam diretrizes para a gestão de resíduos sólidos gerados pela construção civil.
Em vigor desde janeiro deste ano, a resolução estabelece prazo de 18 meses para que os municípios elaborem um programa de gerenciamento. O que significa que, para se adequar às normas nacionais, a Prefeitura de Curitiba terá que apresentar uma solução para o problema até julho de 2004.
Atualmente, a construção civil produz cerca de 2 mil toneladas de resíduos por dia na Grande Curitiba. Quase a mesma quantidade de lixo comum depositada no aterro sanitário da Caximba (2,5 mil toneladas). ''Por enquanto nós temos que procurar alternativas para retirar os resíduos das construções e depositá-los em outros locais, mas sempre contando com a iniciativa privada'', disse o presidente do Sinduscon, Ramon Andres Doria. Para ele, a parceria vai beneficiar a todos os envolvidos, desde a indústria à prefeitura, até a própria população. ''Na construção é preciso fazer a mesma coisa com o lixo que não é lixo: separar'', conclui.


