VALJEVO, Iugoslávia, 03 (AE-AP) - Dezenas de bombas da Otan caíram durante a noite em Valjevo, reduzindo a escombros dois prédios de apartamentos, estilhaçando janelas de um hospital e destruindo uma fábrica.
"Se é verdade que a Otan é cirurgicamente precisa, então nós éramos realmente os alvos", afirmou hoje (03) Miodrag Arandjelovic, 30 anos, enquanto residentes dos apartamentos devastados saíam dos abrigos antiaéreos a fim de avaliar os danos e buscar os restos de pertences pessoais.
Autoridades locais preparavam-se para evacuar cerca de 2.000 moradores cujos apartamentos foram destruídos ou danificados no ataque aéreo em Valjevo, 90 km a sudoeste de Belgrado, disse Snezana Tomasevic, uma funcionária da câmara dos vereadores.
O ataque aéreo deixou 14 pessoas feridas, e duas permaneciam hospitalizadas hoje, afirmou o doutor Miroslav Sreckovic, um médico de plantão no hospital local.
Moradores disseram que a fábrica Krusik, que produzia munições e equipamentos hidráulicos, foi atingida por 20 projéteis da Otan. Dezesseis outras bombas alcançaram um grupo de prédios de apartamentos a apenas 400 metros de distância, destruindo 50 apartamentos e danificando muitos outros.
A fábrica tem sido repetidamente atingida desde que a Otan lançou sua campanha aérea punitiva contra o país em 24 de março.
Sreckrovic disse que três bombas caíram num parque nas proximidades do hospital, estilhaçando janelas, destruindo vigas do telhado e lançando estilhaços em quartos do hospital. Um teto ruiu numa sala onde uma mulher estava em trabalho de parto, mas nem ela nem o recém-nascido ficaram feridos, afirmou ele.
Por volta do meio-dia de hoje, uma equipe de resgate ainda procurava possíveis sobreviventes sob um prédio de três andares que foi reduzido a uma pilha de escombros, e engenheiros limpavam os destroços.
Momir Karadarevic, 71 anos, sua mulher, Ljiljana, 60 anos, e seus sete filhos e netos passaram a noite num abrigo. Ambos trabalhavam havia décadas na fábrica Krusik.
"Eu gastei 47 anos construindo minha casa e ela foi destruída em segundos", afirmou Karadarevic. Sua mulher amaldiçoou o presidente dos EUA, Bill Clinton, e a Otan. "Que vergonha, nós libertamos seus soldados e é isto que eles fazem para a gente.
"Eu queria não ter ido para o abrigo, assim eu estaria morta", disse ela.

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