Goiânia, 23 (AE) - A Polícia Federal já prendeu 20 pessoas e procura mais dois suspeitos de participação no sequestro do compositor Wellington de Camargo, irmão da dupla Zezé di Camargo e Luciano. Eles usariam o dinheiro do resgate - US$ 300 mil - para financiar a fuga de Manoel de Oliveira, irmão de três dos sequestradores de Wellington, que está preso em São Paulo por participar do sequestro do empresário Girsz Aronson, no ano
O sequestro do compositor está praticamente elucidado. Falta apenas definir qual é a participação do grupo de Goiás na quadrilha, formada por duas das famílias mais perigosas do País, especializadas em sequestro, assalto a bancos e tráfico de armas e drogas. As duas pessoas procuradas - Ademir Francisco de Oliveira, que estaria na região de Campinas (SP), e outra não identificada, que estaria em Goiânia - já têm participação comprovada no sequestro.
As 13 pessoas presas em Campo Grande (MS) e Campinas, chegaram hoje a Goiânia. Esta semana, a Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) vai fazer uma acareação entre todos os acusados, para avaliar a participação de cada um no caso. Mas, segundo o secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes Xavier Torres, e o superintendente da PF no Estado, Antônio Ricardo Carvalho, todos foram presos com provas suficientes.
"O grau de participação será definido a partir dos depoimentos", disse Torres. Ele explicou que os integrantes da família Oliveira - Ademir, foragido; Moacir Francisco e José Francisco, presos em Campo Grande - foram os mentores do sequestro. Também Maria Lúcia Paixão, mulher de José Francisco (que usava o nome de Armando César), teve atuação direta no crime.
Apenas Maria Helena Vieira e sua filha Fernanda Vieira, acredita a polícia, tiveram participação mínima no caso. Elas emprestaram seus documentos para que Maria Lúcia comprasse dois aparelhos de telefone celular, usados nos contatos com a família de Wellington. Elas alegam que não sabiam do uso dos aparelhos.
A PF informou que os sequestradores pretendiam trocar o dinheiro no Paraguai ou na Bolívia, ou comprar drogas e revendê-las para financiar a fuga de Manoel de Oliveira, preso por sequestrar o empresário Girsz Aronson. Esta ligação levou a polícia a acreditar que as mesmas pessoas atuaram nos dois casos. "Estamos investigando essa possibilidade", diz Torres. Lucilene Paixão, também ligada à família Oliveira, é outra que está presa, acusada de envolvimento no sequestro do empresário. Ela é cunhada de José Francisco e de Ivanilde Alves Oliveira e irmã de Marlene Paixão Calgaro. Ivanilde, Marlene, Maria Helena Vieira, Fernanda Vieira e Ronaldo Calgaro foram presos em Campinas, suspeitos de participação no caso Wellington.
"Essa quadrilha é, atualmente, a mais perigosa do País e tentava fazer ramificação em Goiás", assegura o secretário de Segurança Pública. Segundo ele, os sequestradores tentaram negar a participação do grupo goiano para facilitar futuros contatos no Estado. Outra preocupação de Torres é a fuga de três sequestradores, ocorrida na semana passada. "Eles podem ser usados para fortalecer o grupo".

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