Pode começar hoje o resgate do navio ''Norma'', que está encalhado na baía de Paranaguá. Na última quinta-feira, vazou da embarcação 392 mil litros de nafta -substância altamente explosiva utilizada em combustíveis e na indústria química. No começo da tarde de ontem, a Capitania dos Portos havia aprovado o resgate e o bombeamento do produto químico, que ainda está nos tanques. Mas até as 20h30, o plano de resgate não tinha sido liberado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama).
O grande entrave para remoção da nafta está na segurança de quem trabalha no local, das populações ribeirinhas e do meio ambiente. Durante o dia de ontem, por causa da formação de nuvem de nafta volatizada, o tráfego marítimo acabou sendo supenso pela segunda vez -desde quinta-feira- pela Capitania dos Portos de Paranaguá.
O órgão da Marinha temia a possibilidade de uma explosão. Mas no começo da tarde, quando os ventos mudaram, novos testes foram realizados pela Petrobras, que permitiram a liberação do trânsito de navios junto ao Porto Paranaguá. Em função desses exames, a Capitania baixou uma resolução que estabelece que os navios podem circular na região das 6h30 às 19h30. Também acabou aceitando o resgate do Norma e o transbordo da nafta.
Foi quando a Defesa Civil embargou a aplicação do plano de resgate da empresa contratada pela Petrobras, Smitt Americas Inc. -a mesma que comandou o resgate do submarino russo Kursk. A interdição foi justificada porque não havia sido feito a análise ambiental do processo.
O chefe do IAP no Litoral, Hamilton Bonato, disse que os técnicos estavam verificando possíveis falhas no projeto. ''Em uma análise preliminar, deve ser pedido ajustes no plano de resgate da Smitt'', avisou Bonato, às 20 horas de ontem. Os técnicos ambientais questionam detalhes do processo de bombeamento, que, segundo eles, poderia provocar novo derramento de nafta.
O plano de resgate estebelece diversos procedimentos que devem ser tomados pela empresa em caso de riscos. Dentro dessa avaliação estão simulações de ações em caso de mudança do clima ou da temperatura, além de possíveis falhas humanas. A previsão era que ontem à noite a empresa holandesa receberia as ressalvas dos órgãos ambientais, devendo respondê-las hoje pela manhã.
Caso receba todas as aprovações, o trabalho da empresa Smitt Americas ficará subordinado à Capitania dos Portos. Ontem a assessoria de imprensa da Transpetro -subsidiária da Petrobras, que cuida do transporte dos derivados de petróleo- comunicou que as informações técnicas do processo devem ser obtidas com o órgão da Marinha.

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