Resgate de escravos cresce 763% no PR
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2013
Rubens Chueire Jr. <BR>Reportagem Local 
Curitiba O número de trabalhadores em condições análogas à escravidão libertados no País cresceu 16% em 2012 em relação ao ano anterior. As operações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) resgataram 2.560 pessoas até 21 de dezembro. Em 2011, foram 2.203.
Um dos Estados que mais contribuiu para o resultado foi o Paraná. A quantidade de libertações em terras paranaenses passou de 19 para 164, um aumento de 763%. A fiscalização flagrou trabalhadores em situação degradante em cinco cidades: Perobal, Tunas do Paraná, Palmas, São Mateus do Sul e Reserva.
O caso mais grave ocorreu em Perobal (Noroeste), onde 125 trabalhadores foram encontrados em situação degradante em uma usina de açúcar e álcool. Contratados por intermediadores de mão de obra, operários da Bahia, Pernambuco e Maranhão foram submetidos a péssimas condições de alojamento, transporte e alimentação. Eram obrigados a comprar as próprias ferramentas e a trabalhar aos domingos, além de não contarem com o descanso mínimo de uma hora durante as jornadas.
As libertações foram feitas em operações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), formado por representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De acordo com o procurador do Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR), Gláucio Araújo de Oliveira, os registros de trabalho análogo à escravidão ocorrem principalmente no corte de pinus e cultivo de erva-mate e fumo (Sul e Campos Gerais) e em canaviais (Noroeste e Norte).
Oliveira acrescenta, no entanto, que irregularidades envolvendo trabalhadores na construção civil vêm aumentando nas grandes cidades. "Normalmente grandes empresas terceirizam seus serviços, contratando pequenas empreiteiras. Estas ficam responsáveis pela mão de obra. Então quando alguma fraude é observada, quem responde são as prestadoras de serviço", explicou.
O superintendente regional do MTE, Neivo Beraldin, reforçou que as autoridades desenvolvem as ações a partir de denúncias, por isso "é importante a participação da população". "É vergonhoso termos esses casos, mas eles estão acontecendo e, por isso, é necessário se intensificar a fiscalização. Dependemos de denúncias e temos que contar com o apoio da sociedade. É fundamental que qualquer pessoa, em qualquer região do Estado, entre em contato com os órgãos responsáveis se souber de alguma situação em que trabalhadores são expostos a condições precárias", pediu.
Dificuldades
Segundo o procurador-geral do MPT, Luís Camargo, grande parte das denúncias não é verificada por falta de estrutura para fiscalização. "Há carência de auditores fiscais do trabalho e uma enorme carência de servidores e procuradores do Trabalho no MPT. Enquanto não conseguirmos superar essas carências nós estaremos distantes da proposta de erradicar o trabalho escravo'', ressaltou.
Serviço
Situações de trabalho análogo à escravidão
Denúncias podem ser feitas ao MTE pelos telefones (43) 3327-2182 e (41) 3901-7544



