Marcos Zanatta
O resgate da história de Maringá, que completou 52 anos em maio, será feito através dos bairros. A idéia é do vereador Ulisses Maia (PSB), que apresentou um projeto criando ‘‘seções de memória e história regional’’ nas bibliotecas públicas da cidade. ‘‘As bibliotecas abrangem vários bairros, mas terão mais facilidade para resgatar e reunir um acervo sobre a formação da área e da cidade’’, diz Maia. Ele lembra ainda que Maringá é uma cidade jovem, que tem como levantar a história com certa facilidade.
Hoje muitos dos pioneiros que trabalharam na colonização da cidade ainda estão vivos e a maior parte mora em bairros tradicionais. ‘‘Não podemos desperdiçar essa condição de resgatar a história através de testemunhos vivos’’, alerta. O projeto sugere primeiro a criação das seções. No total, a Secretaria de Educação tem quatro bibliotecas públicas nos bairros e um departamento de Patrimônio Histórico. Programas educacionais, desenvolvidos junto à comunidade, incentivaria o resgate da história dos bairros.
‘‘A intenção é estimular a população a participar com doação ou empréstimo de documentos’’, diz Maia. Os moradores podem doar livros, fotos, jornais, objetos, desenhos ou documentos relacionados com a criação e desenvolvimento de cada região da cidade. ‘‘Hoje muitas pessoas não sabem nem qual significado do nome do bairro onde mora’’.
No caso da Vila Operária, explica Maia, o nome veio durante a colonização porque a região abrigava os trabalhadores da companhia que urbanizou Maringá. As seções ficarão abertas à consulta da comunidade, criando nos estudantes que frequentam as bibliotecas um ‘‘sentimento de orgulho’’, pelo bairro. O projeto começou a ser criado quando Maia ainda era presidente da Câmara de vereadores. ‘‘Quando assumi o arquivo do Legislativo estava se perdendo, e com apoio de vários setores recuperamos a história da Câmara’’, lembra.
Os documentos antes arquivados sem as mínimas condições foram microfilmados. ‘‘Hoje existe tecnologia que permite arquivar documentos, fotos e recortes de jornais e revistas em um pequeno espaço, sem risco de se perder com o tempo’’, explica. ‘‘E a biblioteca é o local ideal para arquivar o material’’. A diretora da Divisão de Patrimônio Histórico da Secretaria de Educação e Cultura, Sueli Gomes Gonçalves, acha que o projeto pode ser viável, apesar das dificuldades.
Há quatro anos, a divisão iniciou um levantamento para resgatar a história dos sete bairros mais antigos de Maringá. Hoje, são mais de 100 bairros no total. O primeiro a receber a equipe do Patrimônio Histórico foi a vila Operária. ‘‘O levantamento foi realizado, mas não conseguimos publicar o resultado até hoje’’, lamenta Sueli.Projeto do vereador Ulisses Maia prevê a criação seções de acervo e documentação nas bibliotecas públicas de cidade
ArquivoJames NegriniA Vila Operária é uma das mais antigas de Maringá e abrigava os trabalhadores na época da colonização: muitos pioneiros ainda moram na cidade

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