Reservas registram crescimento de US$ 177 mi
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Gustavo Freire 
Brasília, 13 (AE) - As reservas internacionais tiveram um crescimento de aproximadamente US$ 177 milhões entre a sexta-feira da semana passada e a última segunda-feira. O incremento provocado pelas compras de moeda estrangeira feita em mercado pelo Banco Central (BC) fez com que o total das reservas no conceito de liquidez internacional saltasse de US$ 43,828 bilhões para US$ 44,005 bilhões.
O número é o maior já registrado desde o final do ano passado, quando as reservas saltaram de US$ 41,189 bilhões para US$ 44,556 bilhões. O aumento, no entanto, foi provocado exclusivamente pelo aporte de aproximadamente US$ 9,3 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco de Compensações Internacional (BIS) e do Banco do Japão. As reservas neste mês também estão sendo impactadas pelo recebimento de recursos destes organismos financeiros internacionais.
O Brasil recebeu na terça-feira da semana passada US$ 4 916 bilhões do FMI, que foram depositados numa conta do BC junto ao Federal Reserve de Nova York. Na última sexta-feira, ingressaram mais US$ 4,923 bilhões nesta conta do BC repassados pelo BIS e o Banco do Japão. Sem estes recursos, as reservas cairiam para cerca de US$ 34,166 bilhões, que ainda incluiriam cerca de US$ 1 bilhão repassados pelo Banco Mundial (Bird) no mês passado.
O pagamento de aproximadamente US$ 1 bilhão de juros e principal da dívida externa aos credores privados detentores dos bônus bradies deverá, no entanto, afetar negativamente as reservas internacionais na quinta-feira. A operação de pagamento deste compromisso não passará pelo mercado e os recursos sairão diretamente das reservas internacionais. "Como já fizemos em outras vezes, o Tesouro Nacional não precisará ir a mercado para comprar câmbio e honrar seus compromissos no exterior amanhã", disse uma fonte do BC.
Desafio - O economista da corretora norte-americana Goldman Sachs, João Paulo Leme, disse em recente visita a Brasília que o problema do balanço de pagamento continua, junto com o fiscal, sendo um desafio para o governo. "O governo não pode deixar de prestar de atenção nestes fatores", disse Leme quando chegava para uma reunião no BC. O próprio economista disse que estava revendo suas projeções de superávit da balança comercial brasileira neste ano para algo próximo a US$ 7 bilhões. "Trabalhávamos anteriormente com algo próximo a US$ 9 bilhões", disse.


