Reservas paraguaias têm forte queda em dois meses
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Avelino Alves 
São Paulo, 05 (AE) - As reservas internacionais do Banco Central do Paraguai tiveram uma grande queda nos últimos dois meses. As duas principais razões são: a crise institucional pela qual o país atravessa e os efeitos da desvalorização do real brasileiro.
Boletim do BC, de dezembro, mostrava que no último mês do ano passado as reservas totalizavam US$ 889 milhões. Em fevereiro caiu para US$ 703 milhões. Economistas do setor privado apontam a diminuição dos investimentos estrangeiros, redução nas exportações e déficit fiscal do Estado como os principais desafios a serem enfrentados pelo presidente Raúl Cubas.
O BC elevou meses atrás a taxa de juros a 38% para evitar fuga de capitais diante dos recentes problemas da economia do Brasil. Para evitar respingos na cotação da moeda norteamericana, o BC intervém no mercado cambial com injeção diária de dólares. As medidas têm baixado as reservas e o governo pensa em pedir um empréstimo externo para resolver o problema. A matéria está sendo analisada pelo Congresso.
A possibilidade de aumentar a entrada de dinheiro por meio das exportações está descartada por causa da drástica redução da colheita de algodão e o preço baixo da soja no mercado internacional. Ambos são os principais produtos de exportação dos paraguaios.
A desvalorização do real também atingiu em cheio algumas importantes cidades da fronteira, como Ciudad del Este e Pedro Juan Caballero, além de retrair a indústria em função da grande entrada de produtos brasileiros no mercado local. O presidente Cubas decidiu no mês passado militarizar o controle de aduanas em alguns pontos do país para proteger a produção paraguaia.


