Reservas internacionais fecham ano em US$ 36,353 bi
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segunda-feira, 03 de janeiro de 2000
Por Gustavo Freire 
Brasília, 03 (AE) - As reservas internacionais fecharam o último mês do ano passado com uma queda de US$ 5,822 bilhões e ficaram em US$ 36,353 bilhões no conceito de liquidez internacional. O número foi o menor alcançado pelas reservas internacionais brasileiras desde março de 1999, quando elas atingiram os US$ 33,848 bilhões e passaram a equivaler a 7 meses de importações. A perda de reservas acumulada em todo o ano passado foi de US$ 8,203 bilhões. Este número é apenas US$ 586 milhões maior que a redução de US$ 7,617 bilhões das reservas internacionais em 1998.
O Banco Central (BC), no entanto, informou que o valor das reservas líquidas ajustadas fecharam o ano passado acima do piso estabelecido no acordo fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco de Compensações Internacionais (BIS) e o Banco do Japão. O piso, segundo o BC, era de US$ 21,3 bilhões e as reservas líquidas ficaram em US$ 24 bilhões. O número é superior até mesmo à meta anterior à redução do piso em US$ 2 bilhões acertada com FMI no último trimestre deste ano. A meta, neste caso, era de US$ 23,3 bilhões.
O resultado de dezembro foi fortemente afetado pelo pagamento de compromissos junto ao FMI, o BIS e o Banco do Japão. Estes organismos receberam do Brasil, no último mês do ano passado, o equivalente a US$ 5,142 bilhões. Em contrapartida
o governo brasileiro efetivou um saque de recursos junto a linha stand by do FMI no valor de aproximadamente US$ 1,121 bilhão. As reservas também foram afetadas negativamente pela liquidação das vendas feitas no leilão a termo de câmbio. O chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin) do BC, Daso Maranhão Coimbra, disse que foram entregues aos bancos cerca de US$ 1,3 bilhão.
As reservas ainda foram afetadas no penúltimo dia do ano passado pelo pagamento de compromissos da ordem de US$ 448 milhões juntos aos credores externos oficiais do Brasil representados no Clube de Paris.
Foram pagos ainda hoje outros US$ 152 milhões desta mesma parcela de pagamento aos credores do Clube de Paris. O País ainda pagará neste primeiro mês do ano outros US$ 909 milhões aos credores privados detentores do Interest Due Unpaid (IDU). Em contrapartida, entrarão nas reservas os US$ 1,3 bilhão que virão da liquidação das operações de compra feitas no leilão a termo de câmbio. Estes recursos retornarão ao BC em parcelas a serem pagas nos dias 5 e 10.
O piso das reservas líquidas de janeiro, de acordo com o BC, são de US$ 18,950 bilhões. Por estimativas preliminares, estas reservas líquidas podem fechar o mês estáveis num patamar próximo a US$ 24 bilhões. O chefe do Depin do BC chegou a comentar que o País estava com folga para cumprir as metas de reservas líquidas acertadas com o FMI. "Estamos com folga em relação ao piso de reservas estabelecidos com o FMI", disse.


