Reservas internacionais caem abaixo de US$ 42 bilhões
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Gustavo Freire 
Brasília, 23 (AE) - As reservas internacionais apresentaram na última sexta-feira uma queda de US$ 128 milhões e voltaram para um patamar abaixo de US$ 42 bilhões. O número divulgado hoje pelo Banco Central (BC) foi, em sua maior parte, resultado das três intervenções realizadas no mercado de câmbio doméstico na última quarta-feira.
Naquele dia, o mercado de câmbio apresentava problemas de escassez de liquidez e alta volatilidade provocada por dúvidas dos agentes financeiros sobre a capacidade efetiva do governo de alcançar as metas fiscais estabelecidas no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No dia da intervenção, o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga Neto, disse em entrevista coletiva concedida em companhia do diretor de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, que o valor dispendido pela autoridade monetária em sua intervenção no mercado seria conhecido com a divulgação das reservas de sexta-feira. "Vocês vão saber quando as reservas forem divulgadas", disse o presidente do BC ao ser indagado pelos jornalistas. A assessoria de imprensa do BC, no entanto, explicou hoje que o valor da redução das reservas não corresponde integralmente ao volume da intervenção. "Tem aí um pouquinho de variação de moeda", informou a assessoria do BC.
Com a redução, as reservas caíram dos US$ 42,069 bilhões e foram para US$ 41,941 bilhões no conceito de liquidez internacional. As intervenções, como foi explicado pelo presidente do BC, foram realizadas mais no sentido de regular a liquidez do mercado do que o de procurar balizar a taxa de câmbio, que demonstrava naquele dia uma forte tendência de alta. "A taxa tem que ser balizada pelo mercado", disse o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer, em entrevista concedida na última quinta-feira. Em relatório divulgado hoje, o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou a forma de intervenção do BC no mercado de câmbio.
Os diretores do FMI consideraram positiva a nova forma de gerenciamento da taxa de câmbio dentro de um regime de taxas flutuantes e como limitadas intevenções do BC. "Eles enfatizaram que o uso das reservas do Banco Central deve ser limitado para conter desordenamentos nas condições de mercado", diz o relatório divulgado na página do FMI na Internet, rede mundial de computadores.


