Brasília, 15 (AE) - A decisão de pagar 30% da primeira parcela do empréstimo de emergência que o Banco para Compensações Internacionais (BIS) e o Banco do Japão concederam ao Brasil, no final do ano passado, provocou uma queda das reservas internacionais em junho. Também houve piora, no mês passado, no déficit em transações correntes (operações de comércio e serviço do País com o exterior).
Enquanto as reservas passaram de US$ 43,4 bilhões para US$ 40,4 bilhões, o déficit em transações correntes chegou a US$ 2,94 bilhões ante os US$ 1,63 bilhões em maio. No semestre, este déficit ficou em US$ 12,3 bilhões ou 4,45% do Produto Interno Bruto (PIB) do período.
O ingresso de investimentos diretos no primeiros seis meses do ano, entretanto, chegou a US$ 13 bilhões sendo suficiente para financiar o déficit em transações correntes do período. Consta do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a estimativa de US$ 18 bilhões nestes investimentos para este ano.
O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, acredita que eles chegarão a US$ 20 bilhões. Mas outras fontes da instituição apostam em até US$ 23 bilhões. Este total, segundo as fontes, será mais que suficiente para cobrir o déficit em transações correntes projetado em US$ 21 bilhões.
A piora do déficit em junho foi provocada pelo resultado da balança comercial e pelo aumento do pagamento de juros ao exterior. Diferentemente do que ocorreu em maio, quando ficou positiva em US$ 312 milhões, a balança fechou junho deficitária em US$ 144 milhões.
Na conta de juros, o aumento foi de US$ 804 milhões, pois foram pagos US$ 1,9 bilhão contra US$ 1,1 bilhão do mês anterior. Nas reservas internacionais a queda foi de US$ 2,94 bilhões.
Além do pagamento de US$ 1,58 bilhão ao BIS e ao Banco do Japão, o País também perdeu reservas por pagar US$ 549 milhões ao Clube de Paris (formado por agências vinculadas a governos) e mais US$ 1,14 bilhão em bônus. O total chegou a US$ 3,28 bilhões.
A perda foi reduzida, no entanto, porque o Banco Central comprou US$ 250 milhões no mercado e recebeu outros US$ 89 milhões em juros de rendimentos das reservas internacionais.
Melhora - As perspectivas do governo para o segundo semestre, porém, são positivas. "É claro que o déficit em transações correntes vai apresentar melhora", aposta Lopes.
Segundo suas projeções, além da recuperação da balança comercial, que passaria de deficitária para superavitária, o resultado da conta de serviços também será melhor. Isso por causa da redução prevista nos gastos de brasileiros com viagens internacionais que poderá contrabalançar as despesas com juros.
Com a desvalorização do real, em janeiro, as viagens internacionais ficaram muito caras, por isso a desistência dos brasileiros de irem ao exterior. No caso das transferência unilaterais, ou seja, o dinheiro que brasileiros trabalhando no exterior enviam para familiares aqui, ficaram mais vantajosas. O resultado é que elas têm aumentado mês a mês.
Em maio foram US$ 142 milhões e em junho US$ 177 milhões. Sobre as perspectivas de melhor, Lopes ainda ressaltou que, no primeiro semestre, houve uma concentração de pagamentos ao exterior. "Isso não vai se repetir", afirmou.
No resultado acumulado em 12 meses, o déficit em transações correntes chegou a US$ 32,4 bilhões, o correspondente a 4,85% do PIB do período. Em reais, houve uma queda deste déficit que, nos 12 meses até maio, estava em US$ 32 bilhões. Proporcionalmente ao PIB, no entanto, correspondia a 4,65%. O aumento em relação ao PIB ocorre por causa da desvalorização que resultou numa queda do produto calculado em dólar.
Quando comparado com os primeiros seis meses de 98, período em que o déficit em transações correntes foi de US$ 13,4 bilhões, houve uma melhora de US$ 1,1 bilhão no resultado negativo acumulado este ano.
Julho - Os primeiros números divulgados pelo chefe do Depec para este mês indicam que, até o dia 14, os investimentos diretos chegaram a US$ 704 milhões. No primeiro semestre, a média mensal destes investimentos foi de US$ 1,5 bilhão ante os US$ 1,2 bilhão de média nos primeiros seis meses do ano passado. Isso sem considerar os recursos destinados à privatização.
Lopes destacou que, fazendo uma projeção conservadora e considerando que, até o final do ano, a média mensal será também de US$ 1,2 bilhão, já se chega aos US$ 20 bilhões que ele projeta. Também por causa da desvalorização, as empresas nacionais ficaram mais baratas para os estrangeiros, o que estimula estes investimentos. Segundo o chefe do Depec, está previsto o ingresso de US$ 2 bilhões destinados à privatização.
Nas bolsas de valores, os investimentos externos até o dia 14 passado foram positivos em US$ 107 milhões. Nos fundos de investimentos, entretanto, o saldo de aplicações ficou negativo em US$ 22 milhões. No mês de junho, estes resultados foram, respectivamente, de US$ 237 milhões e US$ 754 milhões.

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