Reserva preservada sem incentivos
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segunda-feira, 07 de outubro de 2013
Widson Schwartz<br> Especial para a FOLHA 
Por causa da autossuficiência da propriedade, o empresário José Eduardo de Andrade Vieira nunca cogitou converter os 20% com mata nativa obrigatórios da Fazenda da Capela, em Joaquim Távora (Norte Pioneiro), numa Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) para receber incentivos governamentais. Não sabe, porém, o futuro: "Vendi a fazenda. O novo dono que faça a parte dele", resume.
"São 200 alqueires de muita vida", define José Eduardo sobre a maior reserva da região, mantida com o máximo rigor pela sucessão familiar de 70 anos na propriedade de 1.500 alqueires, onde invasores não se aventuram faz tempo, à exceção de "um vizinho que decidiu caçar as arapongas e vendê-las a cinco reais". O infrator acabou denunciado e responsabilizado judicialmente.
A araponga é um detalhe, porque lá estão outras aves e mamíferos. "No Norte Pioneiro, a maior área [preservada] é essa aqui. Temos o famoso lobo guará, o tamanduá-bandeira e a onça parda", relaciona José Eduardo as espécies sob risco de extinção no País. Ouvindo a observação de que fazendeiros alegam ataques ao gado para justificar a matança de onças, ele não parece se importar com algumas perdas em prol da preservação: "(O animal) Só ataca bezerro pequeno e se estiver sozinho. Por ano, somem quatro ou cinco bezerros". As vacas estão imunes pelo "medo que a onça tem de se machucar contra animal grande que dê batalha".
Embora tenha conhecimento da legislação e dos benefícios apregoados para as RPPNs, José Eduardo diz que, com a autossuficiência de investimentos, não pensou em converter a reserva. "Hoje não vale nada [economicamente], é possível que venha a valer no futuro por causa do carbono", analisa. Embora ele não tenha se aprofundado no tema, os projetos de "mecanismo de desenvolvimento limpo" estimulados pelo Protocolo de Quioto (1997), para amenizar a incidência de dióxido de carbono na atmosfera, ainda não oferecem compensações ou "créditos de carbono" em termos de matas preservadas; contemplam os reflorestamentos e mesmo neste caso, pagando menos em comparação às iniciativas no âmbito da indústria.


