São Paulo - As faculdades apresentaram críticas ao novo modelo do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Rodrigo Capelato, do Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior), elogiou o aumento no número de vagas - neste ano serão 225 mil - e a variação nos modelos de financiamento. Mas mostrou preocupação quanto à reserva regional
Já Sólon Caldas, da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), destacou que o governo federal terá responsabilidade exclusiva só por um terço das 300 mil vagas. "Desde 2015, ele já ofertava cerca de 300 mil vagas, mas que não foram preenchidas porque os critérios estavam muito rigorosos. Agora, o governo está diminuindo a sua responsabilidade e vai ofertar muitas vagas em corresponsabilidade com os bancos, que vão assumir os riscos e, portanto, podem adotar critérios ainda mais rigorosos."

O aumento de repasse das faculdades para até 13% também foi criticado. "Isso pode desestimular as instituições que têm baixa inadimplência", disse Capelato. Para Sólon, o aumento do repasse ao Fundo Garantidor pode inviabilizar o modelo em alguns locais. "A faculdade vai pagar para ofertar o Fies."

Capelato criticou também a reserva de metade das vagas para Norte, Nordeste e Centro-Oeste. "Se pensarmos em termos demográficos, grande parte da concentração dos jovens de ensino médio está nas regiões Sudeste e Sul."

Já para o especialista em educação Simon Schwartzman, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, as instituições podem ter agora preocupação maior com a empregabilidade do aluno quando terminar o curso. "Nos EUA, o principal critério para a faculdade poder receber os alunos é a garantia de emprego ao fim da graduação. O sistema incentiva a qualidade." A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) declarou apoio às mudanças.

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