Brasília, 29 (AE) - Técnicos do Banco Central explicaram hoje que os valores disponíveis para combater as oscilações do dólar, mês a mês, não são cumulativos. Isso significa que, mesmo dispondo de mais recursos para gastar e impedir altas especulativas da moeda americana, o BC continua preso à exigência do Fundo Monetário Internacional (FMI) de um piso mínimo para reservas internacionais líquidas - que não consideram recursos do próprio Fundo e do BIS (Banco para Compensações Internacionais).
A partir da renegociação com o Fundo que permitiu a redução do piso das reservas, o BC ganhou mais poder de fogo para puxar a cotação do dólar para níveis que não tenham impacto nos índices de inflação.
Mas a briga do BC estará sempre limitada ao cumprimento da meta para as reservas internacionais líquidas. Para novembro, por exemplo, o Banco Central está prevendo fechar o mês com estas reservas em US$ 25,17 bilhões enquanto o piso estabelecido no acordo com o Fundo é US$ 20,99 bilhões.
Com isso, no próximo mês o BC vai dispor de US$ 4,18 bilhões para intervir no mercado de dólar. Mas este valor corresponde à diferença entre as reservas previstas e o piso imposto pelo FMI. Não significa que o BC vai usá-lo integralmente pois se o fizesse já ficaria muito próximo do piso estabelecido para dezembro, que é de US$ 20,3 bilhões.
Ou seja, diminuiria sua artilharia para dezembro, quando as reservas previstas são de US$ 23,53 bilhões. A diferença entre o volume de reservas e o piso, portanto, é de US$ 3,23 bilhões. Valor que significa o total que o BC dispõe para intervir no mercado de câmbio naquele mês.
Todos os valores estimados para as reservas não incluem, entretanto, eventuais captações que o Brasil faça no exterior. O diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer, já avisou que, havendo oportunidade, o Brasil fará novos lançamentos até o final do ano. Estes recursos obtidos lá fora são incorporados às reservas.
Com isso, aumenta a diferença entre as reservas e o piso exigido pelo FMI e, consequentemente, o poder de fogo do BC. Este aumento também pode ocorrer com a entrada de empréstimos ou financiamentos obtidos a instituições multilaterais.
Se usasse os US$ 4,18 bilhões previstos para novembro só poderia gastar mais US$ 600 milhões em dezembro para fechar o ano dentro do piso. Em janeiro, estão previstas reservas de US$ 23,65 bilhões e piso de US$ 18,95 bilhões. Havendo, portanto, uma folga de US$ 4,7 bilhões.
Mas se fechasse dezembro em cima do piso, o BC só ia dispor de US$ 1,35 bilhão em janeiro, valor que corresponde à diferença entre o piso de dezembro e o do primeiro mês do próximo ano.

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