Tuneiras do Oeste - A Reserva Biológica das Perobas, que abrange áreas nos municípios de Tuneiras do Oeste e Cianorte (Noroeste), é uma das mais recentes unidades de conservação federais instituídas no Paraná. Criada em março de 2006, a reserva conta com parcerias de várias instituições para sua gestão.
O prédio da direção da UC foi cedido pela Prefeitura de Tuneiras do Oeste. O plano de manejo, aprovado no final de março, foi elaborado com a ajuda de instituições de ensino superior. O Exército deve colaborar em breve, com apoio em ações de fiscalização e na demarcação da área.
Embora essas parcerias sejam uma necessidade diante do número reduzido de funcionários da reserva (apenas quatro, entre servidores de carreira e terceirizados), o chefe da UC, Carlos Alberto Ferraresi De Giovanni, explica que elas têm outro objetivo.
''A gente busca essas parcerias porque cada órgão tem sua especificidade. Por exemplo, não há porque o ICMBio ter uma estrutura exclusiva de demarcação, sendo que o Incra já faz esse tipo de trabalho'', justifica. ''Mesmo que houvesse mais efetivo, haveria necessidade de parcerias, também para mostrar para a sociedade que não estamos sozinhos, que há várias entidades envolvidas na gestão da reserva.''
As maiores ameaças à biodiversidade da Reserva das Perobas são a caça (especialmente de antas, veados, catetos e pacas) e a extração de palmito juçara. ''Fazemos fiscalizações de rotina, que são muito mais para marcar presença, e operações específicas, com ajuda das polícias Ambiental e Federal. As operações dependem de recursos. No ano passado, não conseguimos fazer nenhuma. Neste ano, pretendemos fazer pelo menos três'', afirma De Giovanni.
A regularização fundiária da área, que ainda está totalmente nas mãos de cinco proprietários privados, teve início com a abertura de dois processos em 2010. De acordo com De Giovanni, esteve parada em razão das indefinições envolvendo o Código Florestal. Agora, a regularização deve ser reformulada. O ICMBio pretende que as áreas com floresta da reserva sejam compradas por produtores rurais que tenham necessidade de constituir reserva legal e depois doadas ao instituto. Já a região sem floresta deve ser adquirida diretamente, com pagamento de indenização.
Campos Gerais
O Parque Nacional dos Campos Gerais, criado no mesmo ano, também está em processo de regularização fundiária. A princípio, as contestações judiciais feitas pelos proprietários de áreas localizadas dentro do parque impediram que a unidade passasse do papel para a realidade. Agora, falta concluir os processos de desapropriação.
''Em razão desses conflitos (na Justiça), tivemos um período de três a quatro anos sem muitas atividades relacionadas ao parque. Elas foram intensificadas há dois anos, com a instalação do escritório em Ponta Grossa'', relata Márcio Ferla, chefe do parque.
Ele aponta que a direção do parque tem realizado atividades de fiscalização e preservação, mas elas não têm sido a prioridade. ''Temos focado mais na questão da regularização fundiária, que entendemos como fundamental para o desenvolvimento de outras ações'', justifica. O Parque Nacional dos Campos Gerais tem três servidores de carreira do ICMBio e seis empregados terceirizados. (F.G.)

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