Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) não aceita negociações com a Ferrovia Paraná S/A (Ferropar) e por isso quer que o trecho de 248 quilômetros entre Cascavel e Guarapuava retorne ao poder do Estado. O governo estadual esperava receber ontem da Ferropar, que adquiriu a concessão da Ferroeste em 1996, uma parcela de R$ 3,2 milhões. A Ferropar depositou apenas R$ 553 mil e queria rever os valores dos próximos pagamentos.
Requião, que estava ontem em Brasília, declarou que não aceita as negociações e por isso determinou à Ferroeste que inicie o processo administrativo para retomar a ferrovia. Em janeiro de 2000, durante a gestão de Jaime Lerner (PSB), a empresa renegociou os valores pagos pela concessão. A Ferropar foi a única interessada no leilão da Ferroeste, no qual pagou o preço mínimo (R$ 25,6 milhões). A companhia é um consórcio entre a Gemon Geral de Engenharia e Montagens, FAO Empreendimentos e Participações Ltda., Pound S/A e América Latina Logística (ALL).
De acordo com o presidente da Ferropar, Aníbal Falcão, o faturamento líquido da empresa é de R$ 18 milhões ao ano, enquanto que o arrendamento tem um custo anual de R$ 13 milhões. ''Fica claríssimo que uma empresa que fatura R$ 18 milhões e paga R$ 13 milhões não pode funcionar, porque tem que pagar combustível, funcionários e uma série de coisas'', declarou. Para ele, a empresa pode se sustentar se o financiamento do arrendamento for renegociado. Ele disse que nos últimos quatro meses, a empresa reduziu as despesas em 30% e melhorou a qualidade dos serviços prestados. As informações foram dadas na quarta-feira. Ontem, até o fechamento desta edição, ele não retornou o pedido de entrevista.
Requião disse que o governo estadual já esperou muito pelo pagamento da Ferroeste. De acordo com o atual governo, a parcela de R$ 3,2 milhões que deveria ser paga ontem era a primeira das 108 previstas para quitar a concessão. O atraso no pagamento teria ocorrido por causa de prazos concedidos à empresa durante a gestão de Lerner. A Ferropar alega que já pagou 16 parcelas, que totalizaram R$ 11,8 milhões e que investiu R$ 14,7 milhões.

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