Requião pressiona Fraga sobre BC
Brasília, 15 (AE) - Durante o depoimento na CPI dos Bancos, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, travou um diálogo áspero com o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que não é integrante da CPI. Ele, no entanto, se inscreveu para fazer algumas perguntas a Fraga e ao diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez. Requião iniciou sua intervenção perguntando se Armínio Fraga poderia precisar o valor das perdas que o Banco Central teve nas operações com o Banco Marka e FonteCindan.
Ao responder, o presidente do Banco Central disse que teria que pesquisar esses números e começou a questionar o conceito de perda utilizado pelo parlamentar paranaense, lembrando que o BC não é um banco comercial e sim de investimento e que as operações têm que ser vistas na totalidade e não especificamente. Enquanto Fraga respondia, o senador Requião o interrompeu dizendo que não queria ouvir explicações filosóficas de integrantes da equipe econômica do governo. "Se eu fosse acreditar no discurso neoliberal dos integrantes da equipe econômica, eu estaria acreditando que agora, com as reservas em 44 bilhões de dólares, nós estamos numa maravilha", ironizou Requião. Em tom contido, o presidente do BC disse que encaminharia a resposta do senador, por escrito, em uma semana.
Ultrapassada essa questão, Requião perguntou novamente a Fraga se as conversas entre os integrantes do BC e banqueiros eram gravadas. Novamente em tom seco, o presidente do BC se resumiu a afirmar: "Não". Diante disso, o senador passou para outra pergunta, sobre a aplicação de recursos de ex-clientes do banco FonteCindan. O senador afirmou no plenário que tinha uma denúncia de que os recursos de alguns clientes que deveriam ser aplicados no FonteCindan foram desviados.
O presidente do BC pediu ao senador que o autorizasse a deixar que o diretor de Fiscalização respondesse a questão. O diretor Luiz Carlos Alvarez disse que o assunto estava sendo investigado e qualificou a colocação do senador de "apressada". Diante da resposta, Requião disse que apressada era a posição de Alvarez que já estava defendendo o banco. O diretor do BC, por sua vez, respondeu afirmando que não tinha motivos para defender o banco. Um pouco antes, Alvarez chegou a pedir que fosse registrado um protesto seu por ter sua resposta interrompida pelo senador Requião.





