Requião ordena construção de hidrelétrica
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terça-feira, 29 de julho de 2008
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião assinou ontem, durante a escola de governo no Museu Oscar Niemeyer, a ordem de serviço para a construção da Usina Hidrelétrica de Mauá, no Rio Tibagi, entre os municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira, na região central do Estado. Estiveram presentes na cerimônia representantes da Copel e da Eletrosul, empresas que formam o consórcio energético Cruzeiro do Sul, vencedor do leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que autorizou o empreendimento. Também participou da assinatura o empresário Joel Malucelli, empreiteiro que realizará a construção da usina.
Requião observou que a obra será iniciada com oito meses de atraso devido a disputas judiciais para adequação ambiental do projeto. Segundo ele, a preocupação ecológica está presente no projeto, que reduziu a altura da barragem em sete metros para minimizar o impacto ambiental na região. Essa medida, segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, reduz a área alagada em até 23%. Ele garante que a alteração não compromete a potência da hidrelétrica devido a modificação nas turbinas utilizadas. É uma demonstração de que é possível reduzir o impacto ambiental sem reduzir a energia, destacou Rasca.
A Usina e Mauá terá capacidade de geração de 361 MW, suficiente para atender 1 milhão de pessoas.
Protesto
Ambientalistas, ribeirinhos, indígenas, pesquisadores e estudantes estão organizando um protesto para o próximo dia 9, contra a instalação da usina. Uma reunião hoje, às 18 horas, no auditório da morfologia do Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Londrina, irá definir estratégias do Movimento anti-barragem no Tibagi.
Segundo Laila Menechino, do Grupo de Comunicação Ambiental (GCA) da ONG MAE - Meio Ambiente Equilibrado, a barragem transformará o primeiro rio em diversidade de vida do Estado, em um lago morto. Barrando o rio, uma extensa área de floresta, agricultura e pecuária ficaria em baixo da água parada do reservatório e todo o material orgânico se decompondo, faria com que algas tóxicas se proliferassem pela água, explica. Laila afirma que a água que abastece mais da metade da população de Londrina e cidades do norte do Paraná acabará contaminada. (Colaborou Micaela Orikasa)


