Requião extingue 43 cursos universitários
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segunda-feira, 08 de março de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) anunciou ontem a extinção de 43 cursos nas cinco universidades estaduais do Paraná. Para Requião, a criação desses cursos, que aconteceu entre 2000 e 2002, na gestão de Jaime Lerner (PSB), não foi acompanhada de previsão orçamentária e didática. A decisão, na prática, cancela este ano os vestibulares para ingresso nesses cursos e os alunos que já estão estudando vão poder se formar. As universidades ainda vão ter a chance de apresentar justificativas ao governo estadual para manter os cursos.
''Isso é mais caso de polícia do que de ensino superior'', afirmou o governador sobre a criação dos 43 cursos. O governo estadual ainda não divulgou quais os cursos que serão extintos. Contudo, quase metade deles (21) são da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O reitor da UEM, Gilberto José Pavanelle, não foi encontrado pela reportagem da Folha para comentar os cancelamentos.
O argumento do governo do Estado é que não há recursos e professores suficientes para manter os cursos. Segundo o governador, as universidades estaduais consomem cerca de R$ 450 milhões de recursos do Estado. O reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Paulo Roberto Godoy, diz entender a posição do governo estadual, ''já que a obrigação de manter o ensino superior é da União''. ''Hoje todos os recursos das universidades estaduais vêm do governo do Estado. Até mesmo as universidades federais recebem muito pouco da União'', defendeu.
A UEPG, que já vem sofrendo com falta de professores e denúncias de irregularidades administrativas, deve ter cinco cursos na lista dos cancelados, segundo as previsões de Godoy. Porém, o reitor ainda acredita ser possível reverter a situação quando uma avaliação mais profunda dos cursos for feita. ''Existe a possibilidade de suspender apenas o vestibular de julho e ficar com a prova só do final do ano.''
Segundo a reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Pupatto, somente os cursos de pedagogia e educação física da UEL no campus do município de Colorado devem ter os vestibulares suspensos. ''Os alunos que estudavam lá já se formaram. Mas para este ano havia uma reinvindicação do município para que eles voltassem a funcionar'', explicou.
O governador anunciou também o controle externo às faculdades. Segundo Requião, a decisão é para evitar a currupção dentro das instituições. ''As universidades não podem se transformar em instrumentos de corrupção e desvio de recursos'', afirmou. Os reitores da UEL, da UEPG e o vice-reitor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Aldo Nelson Bona, apoiaram a decisão do governador.
Hoje, as universidades estaduais contam com 252 cursos e 70 mil alunos. De acordo com projeções do governo, em média cerca de 65% dos professores das universidades do Estado têm direito a gratificação por Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (Tide), onde é gasto boa parte do orçamento estadual. E segundo o governo, a maior parte dos professores com Tide não desenvolve projetos de pesquisa, como seria a exigência para usufruir da gratificação salarial.


