Curitiba Os primeiros ônibus prometidos para 26 prefeituras paranaenses foram entregues ontem, numa solenidade do Palácio Iguaçu. Os ônibus foram entregues como pagamento dos recursos de transporte escolar rural que deveriam ter sido repassados no ano passado. Os prefeitos optaram pelos veículos para melhoria da frota. Por conta dos trâmites e da burocracia das licitações, os ônibus só puderam ser liberados ontem.
Entre os municípios contemplados estava o de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina). A prefeita Veralice Pazzotti (PMDB) tinha apenas quatro ônibus na frota para atender cerca de 1,5 mil alunos da rede pública estadual e 1,4 mil da rede municipal. ''Ainda falta melhorar a frota. Temos imensas dificuldades. Mas é um primeiro passo'', disse ela.
Ao todo foram entregues 35 ônibus. Cada um deles custou R$ 80 mil. ''Se as prefeituras resolvessem comprar sozinhas, não pagariam o mesmo preço. Pagariam mais'', afirmou o governador Roberto Requião (PMDB). Na solenidade, foi garantido o repasse de recursos imediatamente para as prefeituras. Repasse que não chegou, segundo a Associação dos Municípios do Paraná (AMP). Os ônibus entregues ontem de acordo com a assessoria de imprensa faziam parte de um convênio assinado em 2004 e deveriam ter sido entregues antes do final do ano. Estão previstos repasses este ano de R$ 31 milhões para atender uma demanda de 192 mil alunos da rede estadual de ensino. O transporte destes alunos, segundo Lei Federal 10.709, de 31 de julho de 2003, é de responsabilidade exclusiva do governo do Estado.
A AMP diz que seriam necessários R$ 60 milhões para atender as necessidades dos prefeitos. As aulas começaram na quinta-feira da semana passada na rede estadual e os recursos iniciais para o transporte já estão sendo bancados pelos prefeitos. Eles reclamam ainda da falta de manutenção dos veículos das frotas municipais. E também se responsabilizam pelo custo da contratação de motoristas e do pagamento de combustíveis, valores que deveriam ser também repassados pelo Estado.
As piores situações no que se refere ao transporte escolar rural podem ser vistas em municípios como Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa), Guarapuava e Palmital (146 km a oeste de Guarapuava) que têm extensa área rural e muitas vezes tem os gastos com transporte triplicados. Além do Vale da Ribeira, onde os municípios são extremamente pobres e transportam muitas vezes os alunos de forma precária.

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