Requião e Greca discutem no Senado
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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
por José Ramos 
Brasília, 18 (AE) - O senador Roberto Requião (PMDB-PR) e o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, travaram há pouco um duro embate no plenário do Senado, onde estão sendo debatidas denúncias de irregularidades no ministério de Greca. Requião disse que tinha informações de pessoa de sua confiança de que um grupo de funcionários ligados ao ministro e à Conab participaram da elaboração de legislação sobre os bingos. Entre eles estariam Paulo Araújo, André Roberto Manfredini, Sérgio Buffara e Luís Antônio Buffara Freitas, este último ex-tesoureiro da campanha de Greca para deputado federal.
Segundo Requião, em uma das reuniões do grupo em São Paulo, André Manfredini teria dito: "Agora é assim: ajoelhou, tem que rezar. Ou paga, ou se ferra". Esta frase teria sido dita para justificar a exigência de pagamento de US$ 150 mil pelo bingueiro interessado em autorização. Ao se defender dessas acusações de Requião, Greca disse que jamais havia visto Paulo Araújo e que o que ele escreveu foi arquivado pelo ministério por ser de má qualidade.
Requião acusou o ministro de estar mentindo aos senadores. "O ministro perdeu o eixo e mentiu descaradamente ao Senado". O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que preside a sessão, pediu a retirada, das notas taquigráficas, das palavras inadequadas ditas por Requião, mas este admitiu que fosse retirado apenas o advérbio "descaradamente", e disse que iria provar que o ministro havia mentido ao Senado.
A prova, segundo Requião, é artigo do jornalistra Juca Kfouri que, no dia 07 de novembro, noticiou ter conversado por telefone com Paulo Araújo, no momento em que este estaria no gabinete de Greca. Segundo o jornalista, o telefone teria sido passado a Araújo pelo próprio ministro, que o teria anunciado como um advogado de sua confiança. Greca disse que está sendo perseguido pelo jornalista.


