Curitiba - O governo do Paraná não aprovou o material distribuído pelo Ministério da Saúde para a campanha que pretende reforçar atitudes de respeito e de inclusão social dos travestis. A cartilha ''Ser Travesti'' e o folder ''A Travesti e o Educador'' foram produzidos pela equipe do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids) e chegou ao Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Educação em Curitiba, causando polêmica entre os funcionários. Eles entenderam que o material deveria ser distribuído nas escolas.
Ao conferir o conteúdo do material, o governador Roberto Requião (PMDB) determinou à Secretaria de Estado da Educação que recolhesse as cartilhas por considerá-las inapropriadas para a comunidade escolar.
''O governo entendeu que era muito pesado para distribuir nas escolas públicas para crianças e adolescentes'', afirmou o chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Educação, Luciano Mewes. Por essa razão, decidiu-se reter o material para uma análise mais aprofundada. ''Vamos analisar se temos esse problema (travestis em sala de aula) e de que forma podemos trabalhar'', complementou.
Para o coordenador do Programa Nacional de DST/Aids, Alexandre Grangeiro, é cedo para dizer que há polêmica. Segundo ele, o que pode ter havido foi uma ''confusão'' quanto ao destino do material. ''Nós estamos na fase de discutir com os estados a utilização do material entre os professores (e alunos)'', declarou, lembrando que até agora, os governos estaduais receberam apenas uma amostra, justamente, para discutir a estratégia de implementação.
A campanha, realizada em parceria com lideranças do movimento organizado de travestis e transgêneros, foi lançada no final de janeiro. Segundo Grangeiro, são três materiais distintos. Um destinado aos travestis, outro aos educadores e o terceiro aos profissionais da saúde.
O folder voltado ao educador trabalha a idéia de que a exclusão social das travestis deve-se, fundamentalmente, ao abandono dos estudos. Segundo os idealizadores da campanha, seria nas escolas que eles enfrentariam as primeiras dificuldades de adaptação devido a piadas, proibição do uso dos banheiros femininos e o desrespeito ao nome de mulher que adotam

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