Brasília, 22 (AE) - O senador Roberto Requião (PMDB-PR) acaba de surpreender os membros da Comissão de Assuntos Econômicos (ACAE) do Senado e o próprio prefeito de São Paulo, Celso Pitta, que nela está dando explicações sobre a dívida do município de São Paulo, ao defender o Pitta das acusações que vêm sendo lançadas contra ele. Após citar o livro de Levítico, Requião disse a Pitta que se recusa "como cidadão, brasileiro, advogado e jurista, a transformá-lo em bode expiatório, sacrificado ao Senhor para purgar, não as culpas do povo de Israel, mas de um governo extraordinariamente corrupto".
O senador disse que, após a decisão de ontem da CAE de aprovar o nome de Tereza Grossi para o cargo de diretora de Fiscalização do Banco Central, "o Senado está completamente desmoralizado para levar adiante decisões de CPIs". O senador considerou imoral a carta enviada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao Senado, defendendo o nome de Grossi, e propôs aos 22 senadores que aprovaram o nome dela, ontem, que autorizem a prefeitura de São Paulo a rolar, em 30 anos, a sua dívida, como já foi feito com Pernambuco.
Requião disse, ainda, que Pitta cometeu poucas irregularidades diante de tantas que estão sendo praticadas e que ele se teria submetido a uma máquina de deságio, agindo em "legítima defesa da prefeitura". Relatou, também, que fica revoltado quando vê a TV tratar Pitta da forma como está fazendo
invadindo a privacidade de sua família, "sem citar que não haveria desvio de recursos se não existissem, na ponta da cadeia da felicidade, bancos como o Bradesco e o Banco do Estado de São Paulo".

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