Requião defende direito do cidadão de ter arma em casa
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segunda-feira, 03 de outubro de 2005
Maria Duarte e Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Faltando três semanas para o referendo do desarmamento, o governador Roberto Requião (PMDB) disse ontem pela primeira vez num evento público que o cidadão deve ter o direito de ter uma arma em casa. O governador tende a votar contra o desarmamento no referendo marcado para o dia 23 deste mês.
Requião, que iniciou a campanha do desarmamento pelo Paraná, entende que o porte de armas (necessário para que o cidadão possa andar armado) deve ser dificultado ao extremo, mas o governador diz não aceitar a idéia de que a população não tenha a possibilidade de se defender.
''Não posso votar a favor do fim do comércio de armas. Não se pode deixar um cidadão que mora na periferia de uma cidade completamente abandonado, sem nenhuma possibilidade para ele e para sua família. O porte deve ter uma restrição levada às últimas consequências. Mas impedir que o cidadão tenha em casa um instrumento de defesa é um verdadeiro absurdo'', declarou Requião, na Assembléia Legislativa, durante audiência pública sobre a Ferroeste.
Para defender seu ponto de vista, o governador ainda ilustrou a situação. ''Em uma casa desarmada, o bandido bate na porta e diz: olha companheiro, eu sei que você cumpre a lei, eu vou assaltar sua casa, estuprar sua mulher, bater nos seus filhos e você fica aí no canto. Porque você não está armado, mas eu estou''.
Na avaliação dele, a questão foi colocada de maneira simplista. A propaganda gratuita já está no ar. Uma corrente defende que o cidadão tenha o direito de comprar armas, pois os criminosos não compram armas legais, e sim no mercado negro, além de não tirarem o porte. A outra corrente é contra a venda de armas, até como forma de reduzir a violência ou acidentes dentro de casa.
Cerca de sete milhões de paranaenses irão às urnas no referendo, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). No Brasil, mais de 122 milhões de eleitores responderão sim ou não à pergunta: ''O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?''


