Curitiba- O governador Roberto Requião (PMDB), tradicional aliado do MST, fez ontem um apelo público para que os sem-terra desocupem as áreas produtivas invadidas no Paraná. ''Entendo que seja um canal de pressão pela reforma agrária. Mas apelo para que o MST deixe as áreas produtivas para que possam pressionar legalmente pela reforma agrária'', afirmou, em entrevista à imprensa depois da reunião do secretariado de ontem, no Museu Oscar Niemayer (MON).
Em nota divulgada ontem, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reivindica que a Fazenda Santa Filomena seja transformada imediatamente em assentamento, já que a área foi considerada como improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 1997 e possui decreto presidencial declarando o imóvel como latinfúndio para fins de reforma agrária.
O superintendente regional do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, disse ontem que o processo de desapropriação da fazenda está sendo analisado pelo Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre. ''Temos que esperar. Entretanto não tenho dúvidas de que a área é improdutiva'', disse ele. Os sem-terra dizem que o assentamento, quando acontecer, será chamado de ''Elias Gonçalves de Meura'' em homenagem a luta do militante assassinado.
O MST pede a desapropriação de três áreas que seriam improdutivas para fins de reforma agrária: Fazenda Campo Real, em Candói (76 km a oeste de Guarapuava), com 6.121 hectares, onde vivem 1 mil famílias de sem-terra; Fazenda Boico, em Ramilândia (81 km a oeste de Cascavel), onde vivem 800 famílias; e Fazenda Complexo Cajati, em Cascavel, com 1,2 mil famílias acampadas. Lisboa disse ontem que a Fazenda Campo Real foi analisada pelo Incra e considerada produtiva. As outras duas áreas não puderam ser analisadas porque estão ocupadas.
A nota oficial solicita ainda que a Polícia Federal (PF) apure o contrabando de armas e a formação de milícias armas que agiriam na ilegalidade na região.
Desde segunda-feira, a Fazenda Santa Filomena aguarda a reintegração de posse com mandado expedido pelo juiz de Terra Rica, Luiz Henrique Trompzynski. Ontem, alguns tratores e cabeças de gado foram retirados da área. Hoje deverão ser retirados alimentos e gado. A fazenda, com 1.752 hectares, tem 3 mil cabeças de soja e produz mandioca e soja.

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