Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) declarou, ontem, que é preciso ''dessatanizar'' a imagem do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e reconhecê-lo como uma ''bênção de Deus para o País''. O discurso agradou o público de quase 4 mil pessoas líderes de assentamentos e acampamentos do MST que participam, em Curitiba, do 17º Encontro Estadual do MST. Ontem, representantes do governo do Estado, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná e deputados participaram da audiência pública com os sem-terra. Hoje é o último dia do encontro que começou na segunda-feira e serviu para um balanço e discussões sobre a reforma agrária.
Requião declarou que o domínio da mídia nos últimos anos ''satanizou o MST''. Lembrando que seu governo tem adotado o diálogo para atender as ordens judiciais de reintegração de posse, defendeu que é preciso ser mostrado à sociedade que o MST é ''um movimento saudável que quer mudar a estrutura agrária do País''. ''O MST é saúde. Doente é a sociedade'', enfatizou.
O governador disse que está colocando a TV Educativa, veículo controlado pelo governo, a favor da desmistificação da imagem do movimento. Um vídeo-documentário sobre um assentamento de sem-terra na região de Querência do Norte (113 km de Paranavaí), segundo Requião, está sendo exibido na emissora como um exemplo de uma organização que deu certo. O governo também promoverá um ''Festival Internacional de Música pela Reforma Agrária'', informou.
Requião fez críticas sutis ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dizendo que esperava atitudes mais enérgicas por parte do governo federal. ''Às vezes, parece que o Lula e o PT não perceberam que ganharam as eleições'', reafirmou. ''Às vezes, me sinto isolado no Paraná na luta contra os transgênicos.''
Integrantes do MST entregaram ao governador e às outras autoridades as propostas do movimento para a reforma agrária no Paraná. Um dos pontos principais é a anulação da lei que proíbe a vistoria de áreas ocupadas. A lei foi editada pelo governo federal na gestão anterior.
O superintendente do Incra no Estado, Celso Lisboa de Lacerda, disse que alguns normativos que emperram a reforma agrária estão sendo revistos pelo atual governo. Anunciou que 450 famílias serão assentadas neste primeiro semestre em quatro áreas que estão em processo de desapropriação. Uma outra área, segundo ele, já está sendo avaliada para também ser desapropriada, onde poderiam ser assentadas mais 100 famílias.
Considerando outras cinco áreas que já foram consideradas improdutivas e serão desapropriadas e as outras dez áreas que, segundo Lacerda, estão em processo de compra, o Incra do Paraná conseguiria atender 4,5 mil famílias. No entanto, a meta para este ano é garantir o assentamento de 3 mil famílias.

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